Archive for July, 2009

Sociedade, Natureza e Desenvolvimento

Sociedade, Natureza e Desenvolvimento, é a disciplina que ministro no Cesmac na Pós-graduação em Empreendedorismo, Gestão Ambiental e Sustentabilidade .

Durante a discussão em sala de aula foram abordados os conceitos de Sociedade, Natureza e Desenvolvimento de forma individual.

Em meio à discussão percebemos que a formação acadêmica de cada um que estava ali influencia nessa abordagem. A constituição dos alunos dessa turma é um verdadeiro “mix de conhecimento” (muito enriquecedor), pois integram a equipe: bacharel em turismo, biólogo, geógrafo, economista, historiador, arquiteto, administrador, engenheiro agrônomo, engenheiro civil, educação artística, assistente social e engenheiro químico.

Abaixo seguem alguns conceitos elaborados por essa turma que por achar muito interessante trago aqui para compartilhar.

Sociedade (Parte I):

Equipe: Antônio Capistrano Neto, Daniel Moreira Chagas, Maria Helena da Conceição e Joel Xavier da Silva

É um conjunto de pessoas que residem ou freqüentam um mesmo ambiente ou localidade, possuem características iguais ou semelhantes, costumes, crenças e conhecimentos que solidificam sua cultura para a formação de uma sociedade.

Equipe: Carla Machado, Patrícia Danielly, Keila Soraia, Márcio Ribeiro, Sebastião André e Gisely Ferro

É um agrupamento de pessoas e suas respectivas interrelações, como a diversidade de costumes, crenças, formas de viver, culturais, ou seja, a sociedade encontra-se em constante transformação. Sua formação envolve processos históricos, políticos, econômicos, sociais.

Equipe: Ana Gabriela de Araújo Mendes, Ana Paula de Lima Medeiros, Glauco Ricardo Motta Medeiros, Marcelo Ricardo de Lima e Nataly Silva de Souza

É forma pela qual um grupo de indivíduos se relaciona politica, social, religiosa e culturalmente dentro de um determinado espaço físico. Através de um ordenamento jurídico de direitos e deveres que convergem para o bem estar comum.

Equipe: Aléssa Jacyara da Silva Félix, Clayton Rodrigues, Dulce Correia, Lys Danielle César e Patrícia Barbosa Alves

Associação de Espécies que possuam ou não os mesmos objetivos com regras de convívio que podem ser seguidas ou não, sofrendo influências ou influenciando.

Equipe: Franklin Bispo, Geni dos Santos, Iara Miranda, Patrícia Cassela e Pedro Costa Neto

Grupo de pessoas heterogêneas que vivem em determinado espaço com estruturas e culturas diferentes, que criam suas próprias regras de convivência e se auto-regulam para o bem comum.

Esse é o resumo de nossa primeira aula, apenas o início de uma valiosa troca de conhecimentos.

Até a próxima.

Fiquem a vontade para comentar…

 

A história das coisas
Repensando o desenvolvimento

Vídeo breve que nos ensina muito sobre o modo como nos desenvolvemos como sociedade e como consumimos.

Muito interessante

Até a próxima

 

Turismo Rural Cooperativo:
Uma alternativa sócio-econômica para uma comunidade.

É com muita satisfação que venho dividir com vocês a minha alegria e sensação do “dever cumprido”.

Por acreditar que o turismo de forma planejada ocupa a sua posição de alavancagem, por ser uma atividade de desenvolvimento para uma localidade, e diante o potencial turístico existente na Coopenedo (Cooperativa de Colonização Agropecuária de Penedo), é que a implementação do segmento de turismo rural cooperativo foi vista como uma opção sócio-econômica para o desenvolvimento local da Coopenedo, onde resultou na criação da Cooptur- Rural (1ª cooperativa de turismo do Estado de Alagoas).

Este é o endereço do site: www.cooptur-rural.com que conta um pouco da história da Cooptur – Rural. O trabalho foi desenvolvido pela equipe da Projetur – Projetos Turísticos Ltda: Águida da Veiga e Luzinei Nunes, e claro nossos colaboradores Francisca, Juliana e Rosinaldo), e a efetiva participação da comunidade local, esse projeto modificou a vida de uma comunidade para melhor (resultados percebidos nos depoimentos dos próprios cooperados) que vivem na Coopenedo, e que viram no segmento do turismo rural um gerador de renda, fortalecedor da cultura local e preservador do meio ambiente, pois a Cooperativa possuía como principal vetor da economia local a plantação da cana-de-açúcar, que para uma parte da comunidade gera renda e emprego em um fluxo sazonal, onde o restante do ano a comunidade ficava ociosa, sem perspectivas de crescimento e melhoria na qualidade de vida.

Convido a todos a visitarem o site, e conhecer a mais nova cooperativa do estado.

Observem como o Brasil, Nordeste e Alagoas são ricos em cultura, belezas naturais e principalmente pessoas encantadoras.

É importante ressaltar, que o turismo rural não se apresenta como a única alternativa para os agricultores familiares, mas uma atividade que, se bem trabalhada, lhes trará bons dividendos socioeconômicos e melhoria da qualidade de vida no campo.

Na galeria de fotos do site tem vários registros de como foi desenvolvido o trabalho.

E o melhor de tudo é saber que o trabalho desenvolvido realiza mudanças positivas nas vidas dessas pessoas.

Por isso eu adoro o que faço!!!

Até a próxima.

 

Entrevista sobre demanda turística com a turismóloga Águida da Veiga

Estava nos arquivos e resolvi postar aqui.

Fiquem a vontade para comentar.

 

Penedo: uma cidade à espera de turistas (PARTE II)

Link para a Parte I

Descontinuidade de políticas prejudica setor

Ás margens do rio São Francisco, na cidade de Penedo, o casario colonial com predominância do estilo barroco é umrico acervo arquitetônico

Ás margens do rio São Francisco, na cidade de Penedo, o casario colonial com predominância do estilo barroco é umrico acervo arquitetônico

Para a pesquisadora, a falta de planejamento e a descontinuidade das políticas públicas são os principais gargalos do setor turístico de Penedo. “Houve uma unanimidade nos depoimentos recolhidos. Todos os  entrevistados apontaram o individualismo como um grande empecilho para o avanço do turismo. Atribuo essa falta de espírito coletivo à ausência de um
grand projeto de desenvolvimento para o setor que requisitasse o  engajamento de todos os atores envolvidos, independentemente das mudanças na gestão municipal ou estadual”, analisa. Segundo ela,as primeiras políticas públicas de turismo para o município datam de 1997, exatamente quando o Estado de Alagoas elaborou seu primeiro Plano
Estadual deTurismo. Nessa fase, foi criado o Conselho Municipal de Turismo e o Fundo de Turismo e Penedo conquistou o selo de ouro do turismo no Programa Nacional de Municipalização do Turismo  (PNMT), desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). “Contudo da mesma forma que o PNMT não avançou nos resultados, o município de Penedo , estrategicamente baseado no programa, sofreu todas as consequências de não alavancar o desenvolvimento da atividade turística no município”, diz.

De acordo com Águida, a falta de planejamento e de políticas públicas para o fortalecimento do setor pode ser percebida de várias formas em Penedo.

“Não há postos de informações para o turista e a cidade também carece de roteiros turícos estruturados, com passeios organizados, o que induziria a permanência dos turistas por alguns dias. Penedo atualmente não é um  produto turístico bem acabado”, af irma. Neste
contexto, ela diz que os entrevistados por sua pesquisa vêem com bons olhos o programa de APL do Turismo Caminhos do São Francisco.

“A maioria deles enxergam o projeto como uma luz no fimdo túnel capaz de agregar forças para o desenvolvimento do turismo  sustentável e visualizam em Penedo o potencial para ser  carro-chefe do programa”, diz.

“O anúncio da obra de reativação do antigo aeroporto de Penedo  trouxe ânimo para a  comunidade, mostrando que os primeiros investimentos em infraestrutura estão surgindo “, c i t a , mencionando o projeto de recuperação do  aeródromo, desativado há seis anos por motivo de segurança, que vai receber R$ 3,5 milhões em recursos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

 

Penedo: uma cidade à espera de turistas (PARTE I)

Imagem 1 - Penedo

Imagem 1 - Penedo

Por: Patrycia Monteiro – Repórter

Publicado no O JORNAL em Domingo,03 de maio  de 2009 no Caderno de Economia.

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), Penedo tem inúmeros atrativos turísticos naturais e  culturais que são internacionalmente conhecidos. O município conta com um calendário repleto de festas populares importantes, como a procissão marítima  do  Bom Jesus dos Navegantes; parte do seu território está localizada na  Área de Preservação Ambiental (APA) Marituba do Peixe, considerada o pantanal alagoano; isso sem mencionar o próprio Rio São Francisco, que margeia a cidade, e os pontos turísticos históricos, entre eles a Igreja de Nossa Senhora das Correntes, o Convento Nossa Senhora dos Anjos e a Catedral Diocesana de Nossa Senhora do Rosário.

Todos esses diferenciais seriam suficientes fazer do turismo a principal atividade econômica do município, mas seu fluxo turístico mostra que o
potencial existente está longe de ser exercido. De acordo com dados de 2006, da última Pesquisa de Turismo Receptivo realizada pela Secretaria de Cultura e Turismo de Penedo, no período entre 1999 e 2005, o município só recebeu cerca de 120 mil turistas, uma média de 46 visitantes por dia – número considerado pequeno por especialistas. Diante do contraste entre vocação do município e a pouca expressividade da atividade na economia penedense, a pesquisadora Águida Veiga  Feitosa, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), resolveu descobrir quais são os verdadeiros entraves que inibem o pleno desenvolvimento do setor no município. “Essa realidade sempre me intrigou. Como é que uma cidade com tanto potencial turístico como Penedo não consegue atrair e fixar turistas, incrementando a economia local? No  município, poucas são as pessoas e empresas que vivem da atividade turística”, afirma.

Pesquisa de campo revela gargalos

Para identificar os gargalos existentes, Águida, que também é professora do Curso de Turismo do Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), esbarrou na ausência de bases estatísticas. Por isso, decidiu entrevistar representantes de 19 organizações relacionadas ao segmento turístico, sendo seis deles do poder público, sete da iniciativa privada e mais seis da  sociedade civil.

Essas instituições participam das ações de; planejamento do Arranjo Produtivo Local (APL) Caminhos do São Francisco, um projeto que vem
sendo desenvolvido pelo em parceria com a Secretaria de Planejamento do governo do Estado. Os dados foram analisados, buscando identificar as falhas estratégicas das políticas públicas elaboradas ao longo da  história do município.

Segundo Águida, o trabalho de pesquisa de campo confirmou suas  expectativas iniciais: são poucos os turistas que circulam pela cidade e a maioria  esmagadora deles nem sequer pernoita em algum dos meios de hospedagens de Penedo.

“Meu primeiro passo foi o de verificar os registros de hotéis e de livros de visitas dos pontos turísticos. Dessa forma, descobri que boa parte dos turistas de Penedo é de estudantes daqui de Alagoas que passeia pela cidade e que vai embora no mesmo dia que chega”, diz Águida.

“Em seguida, busquei entender as razões que afastam os turistas da cidade. Então passei a analisar a infraestrutura e oferta de serviços do município. Afinal, a atividade turística não se desenvolve apenas com a existência de atrativos turísticos como muita gente costuma imaginar”, afirma. – De acordo com ela, há algo em torno de 15 meios de hospedagem de Penedo. O maior deles é o tradicional Hotel São Francisco e o restante são pequenas pousadas, algumas mais  semelhantes a pensões.

“Os meios de hospedagem precisam de uma maior  qualificação e a  mão-de-obra que trabalha neles precisaser capacitada”,  conta.

Na opinião dela, em relação aos meios de alimentação, a cidade está literalmente bem servida.

“Penedo conta com bons restaurantes  regionais, pizzarias, churrascarias e o célebre restaurante A  Rocheira – que serve carnes exóticas, como a do jacaré. A gastronomia local não frustra o turista”, afirma.

Contudo, na visão da especialista, falta identidade ao artesanato local. Já a infraestrutura básica de Penedo, não desaponta, segundo Águida Veiga.

“A cidade tem sistemas de saúde, educação, telefonia, segurança e boas rodovias de acesso que precisariam ser melhoradas na sinalização”, descreve.

“Em resumo, há melhorias que podem ser feitas, mas nada disso justifica o tímido fluxoturístico”, frisa.

Em breve o próximo POST com a segunda parte da reportagem.

Fiquem a vontade para comentar.

 

DESENVOLVIMENTO E TURISMO – PARTE 4
CONSIDERAÇÕES FINAIS

A atividade turística, de acordo com seu efeito multiplicador: entrada de divisas, geração e produção de novos empregos, desenvolvimento de infra-estruturas em diversos setores, promoção da satisfação dos indivíduos, preocupação com o meio ambiente e recuperação do patrimônio histórico e cultural. Percebe, entretanto, que esta pode representar uma excelente alternativa para o desenvolvimento local de maneira a preservar a identidade local, conservar os patrimônios (natural e cultural) e dinamizar a economia das cidades.

Por conseguinte, desenvolvimento não deve ser entendido apenas como sinônimo de crescimento ou desenvolvimento econômico, embora muitos continuem para reduzi-lo a este significado, por ser mensurado por meio do Produto Nacional Bruto – PNB ou Produto Interno Bruto – PIB e pela modernização tecnológica, em que ambos se estimulam reciprocamente. Como foi mostrado o desenvolvimento vai além das questões econômicas, pois muitas regiões, apesar de possuírem suas economias em ascensão permanecem estagnadas ou até em declínio em relação às questões sociais e ambientais.

A história tem mostrado, e o Brasil é um exemplo a esse respeito, especialmente se recordar a época do chamado – milagre econômico – em fins dos anos 60 e começo dos anos 70, que o desenvolvimento estritamente econômico pode ocorrer sem que, forçosamente haja melhoria no quadro de concentração de renda ou dos indicadores sociais, o inverso do chamado desenvolvimento local e sustentável, que tem suas bases voltadas para as preocupações sociais, ambientais, além dos interesses restritamente econômicos, visando melhorias na qualidade de vida da comunidade local.

Ademais, o segmento do turismo é visto como estratégia para o desenvolvimento local, por ser uma atividade capaz de alavancar o desenvolvimento socioeconômico e consequentemente cuidar dos recursos naturais e culturais, mas é preciso planejar para enfrentar alguns desafios, principalmente ao saber conciliar os benefícios econômicos do turismo sem reduzir a localidade a uma simples mercadoria, e socializar as oportunidades, possibilitando que os segmentos da população participem dos caminhos de decisão e os utilizem como instrumento de mudança e ação política, tendo em vista a promoção do desenvolvimento visando o ser humano.

REFERÊNCIAS

AMARAL, Patrícia Daliany A. do e TEIXEIRA, Kátia Simone S. Turismo e Desenvolvimento: escolhas que fazem a diferença. X Encontro Nacional de Turismo com Base Local. João Pessoa, p. 1051 – 1060, 2007.

BARRETO, Margarita. Manual de iniciação ao estudo do turismo. Campinas: Papirus, 1995.

BECK, U.  Risk society. Towards a new modernity. Londres, Sage Publications, 1992.

BENKO, G. Economia, espaço e globalização na aurora do século XXI. 2ª ed. São Paulo: Hucitec, 1999

BRASIL, Ministério do Turismo. O Turismo no Brasil 2007/20010. Brasília. 2006.

BUARQUE, Sérgio C. Construindo o desenvolvimento local sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2006.

BUARQUE, Sérgio C. e BEZERRA, Lucila. Projeto de desenvolvimento municipal sustentável- bases referenciais. Projeto Áridas, dezembro de 1994.

CORIOLANO, Luzia Neide Menezes. Os limites do Desenvolvimento e do Turismo. In: CORIOLANO, Luzia Neide Menezes (org.) O Turismo de Inclusão e Desenvolvimento Local. Fortaleza: Editora Premius, 2003.

DIAS, Reinaldo. Planejamento do Turismo: política e desenvolvimento do turismo no Brasil. São Paulo: Atlas, 2003.

GUIMARÃES, Roberto P. A Ecopolítica da Sustentabilidade em Tempos de Globalização Corporativa. In: GARAY, I. e BECKER B. K. Dimensões Humanas da Biodiversidade. Petrópolis: Vozes, 2006.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Tradução de Carlos Irineu da Costa, Rio de Janeiro: Ed.34, 1994.

MARTINS, S. R. O. Desenvolvimento local: questões conceituais e metodológicas. Interações. Campo Grande, v.3, n.5, p.51- 58, setembro de 2002.

MELLO, Claiton; STREIT, Jorge; ROVAI, Renato. (org.) Geração de trabalho e renda, economia solidária e desenvolvimento local: a contribuição da Fundação Banco do Brasil. São Paulo: Publisher Brasil, 2006.

ROMEIRO, Ademar R. Economia ou economia política da sustentabilidade. In: MAY, P., LUSTOSA, M. C. e VINHA, V.(2003). Economia do Meio Ambiente. Rio de janeiro: Campus, 2003.

SERRES, Michel. O Contrato Natural. Tradução: Serafim Ferreira. Lisboa: Epistemologia e Sociedade, 1990.

SILVA, S. B. M. O turismo como instrumento de desenvolvimento e redução da pobreza: uma perspectiva territorial. CORIOLANO, L. N. M. T., LIMA, L. C. (orgs) Turismo comunitário e responsabilidade sócio-ambiental. Fortaleza: EDUECE, 2003. pp.19-25.

VEIGA, José Eli da. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Garamond, 2ª edição, 2006.

 

DESENVOLVIMENTO E TURISMO – PARTE 3
TURISMO, DESENVOLVIMENTO E PLANEJAMENTO

O turismo se transformou em uma atividade marcante, constituindo-se em uma das maiores fontes de renda no mundo. Observa-se um crescimento contínuo do fenômeno turístico em toda a face da terra e sua contribuição para a criação de riquezas e melhoria do bem-estar dos cidadãos. Faz-se sentir de múltiplas formas: entrada de divisas, geração e produção de novos empregos, desenvolvimento de infra-estruturas em diversos setores, promoção da satisfação dos indivíduos, preocupação com o meio ambiente e recuperação do patrimônio histórico e cultural.

Esta afirmação é reforçada por Trigo (1998, p. 9) dizendo que:

O turismo está entrelaçado com o entretenimento, à indústria cultural eletrônica e imprensa, o esporte e a saúde (…). O turismo é discutido atualmente como uma das forças transformadoras do mundo pós-industrial (…). Com a implementação de novas tecnologias, como a informática e as telecomunicações e a engenharia genética, o turismo está ajudando a redesenhar as estruturas mundiais, influenciando a globalização e, em última análise, a nova ordem econômica internacional.

O turismo tem efeito direto e indireto na economia de uma localidade ou região. Os efeitos diretos são os resultados das despesas realizadas pelos turistas dentro dos próprios equipamentos e de apoio, pelos quais o turista pagou diretamente. Os efeitos indiretos do turismo são resultantes da despesa efetuada pelos equipamentos e prestadores de serviços turísticos na compra de bens e serviços de outro tipo. Trata-se de um dinheiro que foi trazido pelo turista, mas que será gasto por outrem que o recebera do turista em primeira mão. Numa terceira etapa de circulação do dinheiro do turista estão os efeitos induzidos, que são constituídos pelas despesas realizadas por aqueles que receberam o dinheiro dos prestadores dos serviços turísticos e similares. (BARRETO, 1995)

De acordo com os dados do Banco Central do Brasil, em 2005 o país alcançou a receita cambial turística de US$ 3,86 bilhões, superior em 19,83% ao ano de 2004 (US$ 3,22 bilhões), atingindo marca de 34 meses consecutivos de crescimento, desde março de 2003 (tabela 1).

Tabela 1

RECEITA CAMBIAL TURÍSTICA

ANO

(MILHÕES US$)

2003

2,48 (US$)

2004

3,222 (US$)

2005

3,861 (US$)

Fonte: BRASIL, 2006[1]

O turismo, entretanto contribui com a geração de trabalho, ocupação e renda, e consequentemente a melhoria da qualidade de vida da população. De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego, o mercado formal de trabalho em turismo no país, passou de 1.499.497 pessoas empregadas, em 2001, para 1.913.936 pessoas empregadas, em 2005, o que representa um crescimento da ordem de 28% em quatro anos (tabela 2).

Tabela 2

EVOLUÇÃO NO NÚMERO DE EMPREGOS FORMAIS NA ATIVIDADE TURÍSTICA

2001

2002

2003

2004

2005

ACUMULADO

2003/2004/2005

1.499.497

1.651.022

1.724.587

1.825.526

1.913.936

262.914

Fonte: BRASIL, 2006[2]

Já não se pode mais negar de que o turismo hoje seja um grande gerador de divisas e empregos, e fator decisivo no desenvolvimento socioeconômico das localidades e que precisa se adaptar às novas exigências do mercado e de seus clientes.

De acordo com Dias (2003, p. 159),

O turismo, enquanto uma atividade a ser integrada no modelo de desenvolvimento local apresenta características específicas. Uma das mais importantes e que o diferencia de outras atividades econômicas é que deve ser consumida no local a matéria-prima que o sustenta. Nesse sentido, é uma atividade que apresenta dupla face, pois ao mesmo tempo em que o espaço é produtivo, um espaço de produção e geração de atividade, também é um espaço de consumo.

Nesse sentido, percebe que o turismo possui relação mútua com diversos setores da economia, e para que haja um desenvolvimento turístico adequado, é necessário integrá-lo as demais atividades existentes na localidade, refletir como a atividade pode ser concebida no ideário e no papel do planejamento desenvolvimentista. Pois o turismo dependendo da maneira que está sendo implementado, pode se tornar o inverso do propósito de desenvolvimento, concentrador de renda, excludente e perpetuador de desigualdades socioespaciais e negligente na utilização dos recursos naturais.

Para que essa atividade seja realmente considerada uma forma de desenvolvimento para uma localidade, é preciso entender e funcionar de acordo com a as redes políticas, sociais, ambientais e econômicas. Como mostra Silva (2003, p. 09)

O desenvolvimento deve ser visto no seu sentido amplo, valorizando o crescimento com efetiva distribuição de renda, com superação significativa dos problemas sociais e comprometimento ambiental, o que só pode ocorrer com profundas mudanças nas estruturas e processos econômicos, sociais, políticos e culturais de uma dada sociedade.

Conforme Ruschmann (1997), o desenvolvimento do turismo em uma determinada localidade passa por sete fases: exploração, investimento, desenvolvimento, consolidação, estagnação, declínio e rejuvenescimento.

Então, a ligação entre turismo e desenvolvimento é demonstrada a partir dos efeitos social e produtivo, impactos ambientais, fluxos de turistas, mudanças na cultura da localidade e exercícios de cada região, dentre outros. Daí a importância da elaboração do planejamento do turismo para criar condições para o desenvolvimento turístico desejado.

O turismo é uma atividade peculiar e seu planejamento requer um enfoque multidisciplinar, o que está na oposição da área de administração, que pretende restringi-lo. O planejamento do turismo necessita do conhecimento das mais diversas áreas e do entendimento deste como um sistema, para que possa ser implementado com sustentabilidade (FÁVERO, 2006, p.142).

É percebido, entretanto, que essa atividade possui inter-relações com os demais setores da economia e que influencia e sofre influências dos diversos segmentos da estrutura administrativa local, precisando assim ficar atentos as oportunidades e ameaças, que o setor pode causar. Sendo as oportunidades criação de novos empregos, proteção ambiental e cultural, aumento da renda, dentre outras e as ameaças, doenças que podem prejudicar a comunidade local, mudanças nos valores culturais, modificação nos padrões de consumo dentre outros, devido ao modelo de desenvolvimento turístico que é marcado pela improvisação e pela cultura do curto prazo.

Para que a atividade do turismo seja aproveitada da melhor maneira e assim possa proporcionar de fato o desenvolvimento, segundo Amaral e Teixeira (2006) é necessário que se realize um planejamento, possibilitando o crescimento econômico associado com o desenvolvimento nos campos: social, cultural e ecológico.

Como um dos fenômenos marcantes da atualidade, o turismo é uma das mais vigorosas atividades econômicas mundiais, principalmente o setor de serviços, sendo considerado um dos três lideres mundiais em produtividade, com conseqüente ampliação da oferta de emprego e geração de renda.

Entretanto, seu desenvolvimento sempre esteve pautado no mesmo molde de qualquer outra atividade humana – o enfoque econômico. Enquanto o turismo pode contribuir sensivelmente para o desenvolvimento socioeconômico e cultural de amplas regiões, tem, ao mesmo tempo, o potencial para degradar o ambiente natural, as estruturas sociais e a herança cultural dos povos.

Como afirma Dias (2003, p. 13), por mais que pesem os importantes aspectos positivos do desenvolvimento turístico, há problemas que devem ser contornados e que podem trazer graves conseqüências para qualquer localidade, e que só poderão ser evitados com o rigoroso planejamento da atividade e participação ativa de amplo leque de atores, destacando-se: a comunidade receptora, órgãos da administração pública, empresários do ramo, visitantes e organizações do terceiro setor.


[1] São dados originalmente do Banco Central do Brasil, citados pelo Ministério do Turismo.

[2] Dados da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, citados pelo Ministério do Turismo.

 

DESENVOLVIMENTO E TURISMO – PARTE 2
CONCEITOS E DEFINIÇÕES

Para enfrentar os desafios contemporâneos da economia global, em relação aos problemas sociais, econômicos e ambientais, surgiram novas teorias sobre desenvolvimento, todas enfocando diferentes tipos de desenvolvimento, como: o humano, o sustentável, o endógeno, o comunitário e o local.

O termo desenvolvimento tem sido associado à noção de progresso material e de modernização tecnológica. Sua promoção, mediante o desrespeito e a desconsideração das diferenças culturais, da existência de outros valores e concepções, já teria funcionado como “Cavalo de Tróia”, que, vestido da sedução do progresso, teria carregado em seu interior o domínio e a imposição culturais que desequilibram e abalam as sociedades. (MARTINS, 2002, p.52)

É importante verificar segundo Beck (1992) as características da sociedade de risco, onde o autor coloca como primeira, a globalização, com a articulação de relações sociais, atravessando vastas fronteiras de tempo e espaço; a segunda característica é a individualização, referente à libertação dos grilhões da tradição e finalmente a terceira e última característica da sociedade de risco é a reflexividade, em busca de novas informações ou conhecimentos.

No Brasil, desenvolvimento local e sustentável tem sido uma temática muito falada nos últimos anos. Buarque (2006, p. 25) define o desenvolvimento local “como um processo endógeno de mudança, que leva ao dinamismo econômico e à melhoria da qualidade de vida da população em pequenas unidades territoriais e agrupamentos humanos”. É um desenvolvimento baseado na existência de características sociais, políticas, ecológicas, culturais e de um meio técnico-informacional.

E o conceito de desenvolvimento sustentável, conforme Romeiro (2003, p. 5-6)

é um conceito normativo que surgiu como o nome de ecodesenvolvimento no início da década de 1970. Ele surgiu num contexto de controvérsia sobre as relações entre crescimento econômico e meio ambiente, exacerbada principalmente pela publicação do relatório do Clube de Roma que pregava o crescimento zero como forma de evitar a catástrofe ambiental.

Pretendendo assim, mostrar que é necessária uma proposição conciliadora, por reconhecer que o progresso técnico efetivamente relativiza os limites ambientais, porém não os elimina, e que o crescimento econômico é condição indispensável, mas não suficiente para eliminar a pobreza e as disparidades sociais.

O que está em jogo é precisamente a superação dos paradigmas de modernidade, que têm estado definindo a orientação do processo de desenvolvimento, e a sua substituição por um paradigma de desenvolvimento humano sustentável que coloque os seres humanos no centro do processo de desenvolvimento, que considere o crescimento econômico como um meio e não como um fim em si mesmo, que proteja as oportunidades de vida para as gerações atuais e futuras e, em última instância, que respeite a integridade dos sistemas se suporte à vida no planeta. (GUIMARÃES, 2006, p. 30).

A sustentabilidade do sistema econômico, vista por Romeiro (2003) em longo prazo, não é possível sem estabilização dos níveis de consumo per capita de acordo com a capacidade de carga do planeta, cabendo a sociedade como um todo, seja através do Estado ou outra forma de organização coletiva, decidir sobre o uso desses recursos de modo a evitar perdas irreversíveis potencialmente catastróficas.

Essa mudança requer que a comunidade local promova formas de convivência, onde proporcionem a colaboração para trabalhar os objetivos que beneficie a coletividade. De forma que as envolvam (instituições públicas, privadas, ONG’s e sociedade civil organizada), para melhorar a compreensão sobre as dificuldades, limitações e necessidades de cada um.

Pode-se perceber que o paradigma do desenvolvimento local (de baixo para cima) propõe estratégias de diversificação e de enriquecimento das atividades de um dado território, baseando-se na mobilização de seus recursos físicos (naturais, humanos e econômicos) e de caráter sociopolítico, por oposição ao manejo de um poder central que orienta fluxos de investimento para criar pólos de crescimento/desenvolvimento. (BENKO, 1999).

O desenvolvimento resulta da interação e sinergia entre a qualidade de vida da população local, que se mede pela redução da pobreza; geração de riqueza em distribuição de ativos; a eficiência econômica, como resultado da agregação econômica na cadeia produtiva; e, na gestão pública eficiente.

A necessidade do desenvolvimento local surge para dar uma função aos territórios, afirmando a singularidade de cada local. É uma busca pelas potencialidades e vantagens comparativas de cada território, onde os empreendimentos se materializam. (MELLO; STREIT; ROVAI, 2006).

O desenvolvimento está relacionado, geralmente, a iniciativas inovadoras e que movimentam a coletividade, articulando as potencialidades locais nas condições dadas pelo contexto. Segundo Buarque e Bezerra (1994) dentro das condições contemporâneas de globalização e intenso processo de transformação, o desenvolvimento local representa também alguma forma de integração econômica com o contexto regional e nacional, que gera e redefine oportunidades e ameaças exigindo competitividade e especialização.

Por conseguinte, desenvolvimento local é uma transformação nas bases econômicas e na organização social em nível local, resultante da movimentação da sociedade, explorando as suas capacidades e potencialidades específicas.

No entanto, Coriolano afirma (2003, p. 26-27) que o desenvolvimento só ocorre de fato quando todas as pessoas são beneficiadas, quando atinge a escala humana – quando elas tiverem assegurado uma existência digna – um padrão de vida capaz de garantir a si e a sua família, saúde, bem estar, alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos, segurança, repouso e lazer.

Entendendo que os seres humanos formam o centro e a razão de ser do processo de desenvolvimento. Guimarães (2006, p.30-31) pontua o novo estilo de desenvolvimento:

Que seja ambientalmente sustentável no acesso e uso dos recursos naturais (…); que seja socialmente sustentável na redução da pobreza e das desigualdades sociais (…); que seja culturalmente sustentável na preservação do sistema de valores, práticas e símbolos de identidade (…); que seja politicamente sustentável ao aprofundar a democracia e garantir o acesso e a participação de todos na tomada de decisões.

Sendo assim, um estilo de desenvolvimento que terá que possuir como embasamento a ética, onde o progresso econômico esteja integrado às normas de funcionamento dos sistemas naturais e socioculturais.