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CERTIFICAÇÃO DO TURISMO SUSTENTÁVEL
Parte III de III: Conclusão

CONCLUSÃO

Desenvolvimento sustentável é um campo emergente, cujos conceitos e idéias vêm sendo trabalhados com mais intensidade nos últimos dez anos, com grande adesão em nível internacional, todos com a preocupação com o futuro do planeta terra. A sua concepção resulta do grau de compreensão da insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento, na medida em que conseguimos visualizar, no horizonte próximo, a finitude dos recursos disponíveis, os quais a economia tem explorado para a produção de bens e serviços para atender as necessidades humanas. É preciso, entretanto reverter um modelo perverso de produção, com base em novos paradigmas, onde a relação homem-natureza precisa ser restabelecida em termos de valores.

A conservação do meio ambiente não só tem importância ecológica, mas vem trazendo em muitos casos, incluindo a hotelaria e ecoturismo, benefícios financeiros e sociais, tornando-se ainda mais importante sob o ponto de vista empresarial.

Processos de certificação geralmente emitem um selo para empreendimentos e serviços que declaram e atestam possuir determinada qualidade. No caso do turismo, trata-se da adoção voluntária de normas operacionais que visem aprimorar o desempenho sócio-ambiental do empreendimento e seu entorno.

No entanto, é importante frisar que a certificação não é a única solução para a sustentabilidade, mas sim uma das ferramentas para se chegar lá. Onde é fundamental prosseguir através de um processo verdadeiramente participativo, em base as experiências brasileiras (e aquelas internacionais de relevância) com definição e elaboração de normas e indicadores ambientais possíveis de serem adotados pelo pequeno e médio empresário.

REFERÊNCIAS

ABIH – HYPERLINK http://abih.com.br/principal/estaduais/index.php Acesso em 14/01/2008.

BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. 6. ed. São Paulo: SENAC, 2001.

BUARQUE, Sérgio C. Construindo o desenvolvimento local sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2002.

DIAS, Reinaldo. Planejamento do Turismo: política e desenvolvimento do turismo no Brasil. São Paulo: Atlas, 2003.

HALL, C. Michel. Planejamento turístico: políticas, processos e relacionamentos. Tradução de Edite Sciulli. São Paulo: Contexto, 2001. (Coleção Turismo Contexto.)

IRVING, Marta de Azevedo – Revisitando significados em sustentabilidade no planejamento turístico - Caderno Virtual de Turismo, vol. 5, N°4 (2005) ISSN: 1677-6976.

MARTINS, Clerton (org.). Turismo, Cultura e Identidade. São Paulo: Roca, 2003.

PACHECO, Ana Lucia Camphora e Irving, Marta de Azevedo – Turista, o sujeito oculto da sustentabilidade – in Turismo e sustentabilidade no Estado do Rio de Janeiro,(org. Bartholo, Delamaro, Badin),  Ed. Garamond, RJ, 2005.

RUSCHMANN, Dóris. Turismo e Planejamento Sustentável. 10ª ed. Campinas, SP:

Papirus Editora, 2003.

SWARBROOKE, John. Turismo Sustentável: meio ambiente e economia. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2000. v. 2.

TRIGO, Luiz Gonzaga Godói. A sociedade Pós-Industrial e o Profissional de Turismo. São Paulo: Campus, 1998.

 

CERTIFICAÇÃO DO TURISMO SUSTENTÁVEL
Parte II de III: A certificação

CERTIFICAÇÃO DO TURISMO SUSTENTÁVEL

Buscando garantir este equilíbrio ecológico-social tem-se discutido recentemente em vários fóruns a certificação do turismo no Brasil. Processos de certificação geralmente emitem um selo para empreendimentos e serviços que declaram e atestam possuir determinada qualidade. No caso do turismo, trata-se da adoção voluntária de normas operacionais que visem aprimorar o desempenho sócio-ambiental do empreendimento e seu entorno.

A certificação vem de encontro a uma tendência internacional de estabelecer produtos realmente sustentáveis e de atender ao consumidor mais consciente, também refletindo novas formas e modalidades operacionais, compatíveis com princípios de conscientização empresarial, que vêm se expandindo consideravelmente no Brasil. É um mecanismo que tem por objetivo identificar ou atestar determinada característica do produto ou da atividade turística.

Os tipos de certificações estão divididos em: Certificação de parceiros; Auto certificação / declaração e Certificação Independente. Para que a certificação possua credibilidade é necessário ser: independente; tecnicamente consistente; não discriminatória; transparente e voluntária.

No geral, o processo de certificação ocorre de acordo com o fluxograma abaixo:

Fonte: PCTS

A questões consideradas na certificação implicam em:

- Conservação de água;

- Conservação de energia;

- Minimização e tratamento de lixo;

- Produtos locais ou produzidos de maneira sustentável;

-Capacitação do equipe de funcionários.

Assuntos relacionados com a erradicação da pobreza:

-Compromisso com o emprego local;

-Compra local de produtos e serviços;

-Apóio às empresas de pequena escala;

-Acesso aos recursos locais.

Benefícios Potenciais da Certificação:

- Escolhas responsáveis de ponto de vista ambiental e social;

- Consciência de práticas de comércio responsáveis;

- Educar empresas/operadores;

- Elevar normas das empresas;

- Possíveis economias de custos;

- Proteger a base de recursos para o turismo;

- Fornecer benefício de mercado aos (produtos) certificados;

- Participação na certificação;

- Proteger a imagem/reputação do destino.

Certificações, padrões e parâmetros setoriais e governamentais de qualidade estão sendo incorporados às políticas públicas como instrumentos de diferenciação. Já existe uma crescente demanda da sociedade por ofertas turísticas associadas à utilização sustentável dos patrimônios natural e cultural. Esse crescente interesse por parte dos consumidores é reconhecido pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – ABIH, com a criação do Programa de Responsabilidade Ambiental Hóspedes da Natureza – PHN, em 2001. A adequação do parque hoteleiro brasileiro a critérios de sustentabilidade, constitui uma importante ferramenta promocional dos destinos nacionais nos principais centros emissores internacionais.

Para estimular a gestão ambiental, através dos Selos ABIH de Comprometimento Ambiental, foram adotadas as metas do Environmental Action Pack, manual de adequação ambiental do International Hotel Environment Initiative, com sede em Londres. Pra adequar essas metas às condições brasileiras, e para facilitar a adesão de novos empreendedores, o Programa ganhou o apoio do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade. A perspectiva de responsabilidade social foi introduzida a esse processo, enfatizando a necessidade de envolvimento das equipes profissionais, os fornecedores, as comunidades locais e os hóspedes (ABIH, 2003). Com o objetivo de introduzir “a cultura de investimentos em ações socioambientais que revertam em benefícios econômicos, sociais e ambientais para o empreendimento em si e para comunidade em geral, com efetiva participação dos hóspedes” (ABIH, 2003).

O compromisso com a sustentabilidade da atividade hoteleira inclui a busca do equilíbrio entre oferta e demanda, a redução, e a possível eliminação, de desperdícios, incluindo o de potencial humano. (PACHECO & IRVING, 2005, p.315)

O processo para estabelecimento de um sistema de certificação confiável, necessita de normas e critérios adequados ao contexto em que serão aplicados, gerados por um processo participativo envolvendo diversos segmentos do turismo: sociedade civil, governo e setor privado. Tal processo possibilita um diálogo entre os atores, conhecimento dos interesses e barreiras vividas por cada setor, e a busca de soluções comuns. Fazendo com que esta trajetória gere uma desejada “apropriação” do sistema a elaborar, fator determinante na adesão às práticas sustentáveis, já que o sistema é voluntário.

Entretanto vale ressaltar que a certificação não é a única solução para a sustentabilidade, mas sim uma das ferramentas para se chegar lá. Neste contexto, é fundamental prosseguir através de um processo verdadeiramente participativo, em base as experiências brasileiras (e aquelas internacionais de relevância) com definição e elaboração de normas e indicadores ambientais possíveis de serem adotados pelo pequeno e médio empresário.

O novo paradigma do TURISMO SUSTENTÁVEL considera a autenticidade cultural, a inclusão social, a conservação do meio ambiente e a qualidade dos serviços, como peças fundamentais para a viabilidade econômica do turismo ao longo prazo.

É importante frisar que já existe no Brasil um Programa de Certificação em Turismo Sustentável – PCTS, realizado pelo IH – Instituto de Hospitalidade em parceria com o CBTS – Conselho Brasileiro de Turismo Sustentável, onde se pretende apoiar os empreendedores do turismo, especificamente os meios de hospedagens, a responder aos novos desafios do setor de turismo aprimorar a qualidade e a competitividade das micro e pequenas empresas (MPE) de turismo, estimulando seu melhor desempenho nas áreas econômica, ambiental, cultural e social, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável do país e a melhoria da imagem do destino Brasil no exterior. Tendo como principais objetivos:

  • Desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Normas e de Certificação em turismo sustentável;
  • Disseminar informações sobre tecnologias e boas práticas sustentáveis, visando a melhoria de qualidade, meio ambiente, segurança e responsabilidade social no setor turístico;
  • Capacitar profissionais para prestar assessoria técnica às empresas;
  • Fornecer subsídios para implementar boas práticas sustentáveis nas micro e pequenas empresas (MPE);
  • Promover as empresas participantes e a imagem do destino Brasil Sustentável em mercados internacionais;
  • Envolver as partes interessadas no debate sobre a sustentabilidade das atividades do setor do turismo.

Existe também o Programa de Qualificação e Certificação do Turismo de Aventura, juntamente com o Ministério do Turismo em parceira com o SEBRAE Nacional, executado através de um convênio com a ABETA – Associação Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura. Tem como principal objetivo, melhorar a qualidade, a segurança e a competitividade dos profissionais e empresas do segmento de turismo de aventura no país através de ações de qualificação, certificação e disseminação de conhecimento.

 

CERTIFICAÇÃO DO TURISMO SUSTENTÁVEL
Parte I de III – Resumo

RESUMO

O artigo tem o intuito de mostrar a importância e os procedimentos básicos, decorrente de uma revisão de literatura, da contribuição que a certificação do turismo sustentável possa oferecer ao setor turístico relacionado ao desenvolvimento de uma localidade, em relação aos fatores econômicos, sócio-culturais e ambientais. Foi tomado como base conceitos e definições de turismo sustentável, sustentabilidade e definições, processos e modelos da certificação do turismo sustentável no Brasil.

Palavras-chave: turismo sustentável; desenvolvimento sustentável; certificação.

INTRODUÇÃO

Como crescer economicamente sem aumentar o uso dos recursos naturais e separar ainda mais as classes sociais? É ai que entra a aplicação do desenvolvimento sustentável, fundamentado em minimizar os impactos sócio-ambientais ‘causados’ pelo crescimento econômico.

No turismo esses impactos também podem ser minimizados, se no planejamento turístico houver uma preocupação real com a questão ambiental e a questão sócio-cultural, até porque a preservação dos recursos naturais influencia no tempo de vida útil da localidade turística.

Quando a atividade turística é desenvolvida com base em planejamento, de acordo com Hall (2001), o planejamento pode minimizar impactos potencialmente negativos, maximizar retornos econômicos nos destinos e, dessa forma, estimular uma resposta mais positiva por parte da comunidade hospedeira em relação ao turismo em longo prazo.

O uso sustentável do local, na verdade transforma-se em um aliado das empresas, pois mantém a originalidade do local minimizando a alteração da natureza e a cultura local que são um dos responsáveis pelo fluxo turístico, fluxo esse que faz o uso dos serviços prestados pelas empresas especificamente turísticas ou não, aumentando a vida útil do destino e conseqüentemente da empresa.

No entanto, é demonstrada a importância do turismo sustentável, porque segundo (DIAS, 2003, p.23): “O importante, na relação turismo natureza, é a compensação de que o turismo tem essa característica: quando bem administrado, os impactos positivos são imensamente superiores aos negativos e contribuem decisivamente para a preservação.” Aqui compreendida como cultural e ambiental.

Perante as abordagens de conceitos de turismo sustentável, surgiu a necessidade de criar programas de certificação em turismo, que visam o estabelecimento de requisitos de desempenho para as dimensões da sustentabilidade (ambiental, sócio-cultural e econômica), os quais são apoiados por um sistema de gestão da sustentabilidade. Este sistema de gestão proporciona uma base estável, coerente e consistente para a obtenção do desempenho sustentável dos empreendimentos turísticos e recursos naturais e a sua manutenção.

AS PESRSPECTIVAS DO TURISMO NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Desenvolvimento sustentável é a palavra chave que vem ocupando o centro do palco das discussões neste novo milênio. Ao lado dos desafios da desigualdade social, do desemprego, da pobreza e da paz mundial, vivemos a incerteza de novos tempos. As transformações resultam do processo de transição da modernidade para a sociedade pós-moderna, sendo essa última caracterizada pela emergência de novos paradigmas, que exigem a adoção de novos olhares em relação à questão ambiental e especificamente a gestão turística.

Neste cenário de novas configurações sócio-econômicas, o turismo surge como o setor da economia que mais gera renda, distribui riqueza, cria empregos, combate à pobreza e promove o entendimento entre as pessoas e os povos. Segundo Relatório da World Travel and Tourism Counil (1993), “o turismo tornou-se o maior setor econômico do planeta”. Esta afirmação é reforçada por Trigo (1998, p. 9) dizendo que:

O turismo está entrelaçado com o entretenimento, à indústria cultural eletrônica e imprensa, o esporte e a saúde (…). O turismo é discutido atualmente como uma das forças transformadoras do mundo pós-industrial (…). Com a implementação de novas tecnologias, como a informática e as telecomunicações e a engenharia genética, o turismo está ajudando a redesenhar as estruturas mundiais, influenciando a globalização e, em última análise, a nova ordem econômica internacional.

Por outro lado, existe atualmente, uma farta literatura desmistificando a afirmação de que a “indústria do turismo”, ou “indústria limpa” seja necessariamente benéfica na geração de emprego e renda e na preservação dos patrimônios natural e cultural. É sabido, pelo contrário, que muitos projetos turísticos são geradores de efeitos inversos aos expostos acima, ou seja, a concentração de renda, a contratação de pessoas de fora em detrimento dos próprios moradores, a transformação do espaço em mercadoria, a massificação das culturas, entre outros problemas.

Segundo (IRVING, 2005), “de maneira geral, as estatísticas do turismo e o discurso oficial frequentemente expressam concepções idealizadas dos benefícios possíveis gerados pelo desenvolvimento turístico, e tendem a mascarar ou minimizar os impactos socioambientais e culturais decorrentes deste processo”.

O setor turístico visto estritamente sob a ótica mercadológica, como atividade capitalista, preocupada apenas com o crescimento econômico, que visa somente ao lucro e a concentração do mesmo, entra em contradição com a própria continuidade e êxito do empreendimento, pois têm uma visão em curto prazo e não imprime sustentabilidade ao negócio.

O debate sobre a importância do turismo para o desenvolvimento local sustentável nos remete a olhar como o crescimento e o desenvolvimento econômico eram concebidos na história econômica da humanidade. Não perder a perspectiva histórica é fundamental para compreender os desafios contemporâneos do desenvolvimento, como sinônimo da melhoria de qualidade de vida da população. Por isso, crescer qualitativamente com o advento da atividade turística é promover o equilíbrio do meio ambiente, do homem e da economia.

Para enfrentar os desafios contemporâneos da economia global, em relação aos problemas sociais, econômicos e ambientais, surgiram novas teorias sobre desenvolvimento, todas enfocando diferentes tipos de desenvolvimento, como: o humano, o local, o endógeno, o comunitário e o desenvolvimento sustentável. Neste contexto do fazer teórico e de práticas inovadores, o turismo se apresenta como um espaço de convergência das diferentes teorias, capaz de articular um processo de desenvolvimento, na medida em que se preocupa em resgatar a identidade e promover o ser humano, preservar e melhorar o meio ambiente e preservar o patrimônio histórico e cultural.

Então surgem perguntas como:

O que é desenvolvimento local e por que o seu fortalecimento quando o mundo está se globalizando?

Que condições e perspectivas concretas existem para o desenvolvimento local?

Como cada território deve se mover neste processo de mudanças globais, que penetra e influencia todos os espaços, buscando respostas a estas questões?

Para se pensar o global é necessário se ter consciência do local, pois é a partir da perspectiva de obtenção de renda local para melhoria das condições de vida que se chega ao entendimento das influências e oportunidades globais. Na discussão proposta por Buarque (2002, p. 67):

Desenvolvimento local sustentável é um processo de mudança social e elevação das oportunidades da sociedade, compatibilizando, no tempo e no espaço, o crescimento e a eficiência econômica, a conservação ambiental, a qualidade de vida e a eqüidade social.

É um conceito construído com uma visão comprometida com o das gerações, com elevado nível de solidariedade entre as mesmas e uma consciência planetária. Ainda não é um conceito fácil de ser trabalhado, na medida em que ele foi construído a partir do questionamento feito sobre a estrutura do modelo atual de economia e sociedade e coloca uma nova proposta de sociedade com base na ética social, respeito ao meio ambiente e às diferentes culturas.

O desenvolvimento local sustentável resulta da interação e sinergia entre a qualidade de vida da população local, que se mede pela redução da pobreza; geração de riqueza em distribuição de ativos; a eficiência econômica, como resultado da agregação econômica na cadeia produtiva; e, na gestão pública eficiente.

É importante se ter claro que o desenvolvimento local não se constitui numa ilha de desenvolvimento. Embora seja um movimento de conteúdo interno, está inserido numa realidade mais ampla e complexa do próprio processo de globalização da economia. Ele representa alguma forma de interação econômica no contexto regional e nacional.

Desenvolvimento e Turismo Sustentável

A pergunta: como o turismo pode contribuir para promover o desenvolvimento local sustentável? Já tem vários elementos que podem auxiliar na sua compreensão. Partindo das concepções de desenvolvimento local e desenvolvimento sustentável, conforme Martins (2003, p. 4):

[...] o turismo sustentável é aquele que atende as necessidades dos turistas atuais, sem comprometer a possibilidade do usufruto dos recursos pelas gerações futuras (…) É um conceito ligado diretamente ao conjunto dos atrativos naturais, básicos do sistema turístico, como florestas, clima, rios, lagos, montanhas, serra, sol e mar e a diversidade da fauna; e dos atrativos turísticos culturais, principalmente o patrimônio histórico cultural, sempre tendo presente as dimensões econômica e social, considerando o potencial de geração de emprego e renda e a conseqüente melhoria das condições de vida da população.

O desenvolvimento sustentável “é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades”. Este conceito foi construído pela ONU, fruto de conferências internacionais e um amplo processo de estudos e pesquisas feitos por cientistas do mundo inteiro, que resultaram numa grande tomada de consciência sobre o futuro da humanidade.

Já a Organização Mundial de Turismo (OMT, 1995) define o Turismo Sustentável como aquele ecologicamente sustentável, de longo prazo, economicamente viável, assim como ética e socialmente eqüitativo para as comunidades locais. Exige integração com ao meio ambiente natural, cultural e humano, respeitando o frágil balanço que caracteriza muitas destinações turísticas.

O caminho para conter os impactos negativos, na prática, diz Wheller (apud Ruschmann, 2003, p. 115) é:

[...] a educação para o turismo voltado para a arte de viajar deve tornar-se uma “técnica cultural” e seus conhecimentos deverão ser obrigatórios para os “turistas”. Devemos, frente às estas questões, trabalhar para a educação e a conscientização para o turismo, trabalhando futuro desta atividade no mundo, buscando uma inserção planetária do ser humano.

Swarbrooke (2000, p. 3), trabalha seis atores envolvidos no turismo sustentável, que chama de conjuntos-chave, e o vínculo entre os mesmo, numa visão de sistema turístico. Estes conjuntos-chave são:

- O setor público, inclusive órgãos supra-governamentais, os governos nacionais, as autoridades locais e organizações quase-governamentais;

- Indústria do turismo;

- Organizações do setor voluntário, especialmente entidades profissionais;

- A comunidade local;

- A mídia;

- Turista.

Preocupações com a conservação ambiental exigem medidas que contemplem o turismo sustentável. Para que os recursos naturais sejam mantidos, restaurados e melhorados, Pearce (apud Beni, 2001, p. 61), considera as seguintes medidas:

Educação ambiental. Fundamental para a conservação das áreas receptoras do turismo ecológico, deve atingir tanto a população residente como os turistas, a fim de preservar a atividade turística e garantir oportunidade de emprego.

Capacitação profissional. A preservação e a utilização dos atrativos naturais para o turismo também depende da formação de profissionais especializados para orientar e acompanhar a permanência dos turistas no espaço natural.

Estudo do impacto ambiental. Análise imprescindível para a conservação da integridade dos recursos naturais de interesse turístico, realizado por equipes multidisciplinares.

Capacidade de carga. Número máximo anual de visitantes que o atrativo turístico natural pode suportar, sem sofrer alterações, considerando-se o equilíbrio dinâmico entre ambiente, quantidade de turistas e qualidade de serviços instalados.

Plano de manejo. Conjunto de normas de uso de uma área de interesse turístico e de gestão de seus recursos ou atrativos. O plano de manejo, em harmonia com a implantação e administração da área, deve garantir sua proteção e aproveitamento de acordo com os objetivos preservacionistas e conservacionistas.

Controle ambiental. Todos os projetos, programas e empreendimentos do turismo ecológico devem ser fiscalizados tanto pelo agente público quanto pelas organizações não-governamentais.

Embora o turismo sustentável seja tratado com mais peso no contexto de preservação do meio ambiente, não se pode descuidar das dimensões do desenvolvimento sustentável, contemplando políticas de gestão ambiental de forma integrada com as políticas de desenvolvimento econômico e social. Estas, por sua vez, devem ser construídas com a efetiva participação da comunidade local.

No entanto, o desenvolvimento tradicional de um destino turístico leva ao esgotamento dos recursos naturais, descaracterização do patrimônio cultural e desestruturação da rede social, fazendo muitas vezes que o destino perca seus encantos e seja abandonado pelos turistas que vão em busca de um novo paraíso.