CERTIFICAÇÃO DO TURISMO SUSTENTÁVEL
Parte II de III: A certificação


CERTIFICAÇÃO DO TURISMO SUSTENTÁVEL

Buscando garantir este equilíbrio ecológico-social tem-se discutido recentemente em vários fóruns a certificação do turismo no Brasil. Processos de certificação geralmente emitem um selo para empreendimentos e serviços que declaram e atestam possuir determinada qualidade. No caso do turismo, trata-se da adoção voluntária de normas operacionais que visem aprimorar o desempenho sócio-ambiental do empreendimento e seu entorno.

A certificação vem de encontro a uma tendência internacional de estabelecer produtos realmente sustentáveis e de atender ao consumidor mais consciente, também refletindo novas formas e modalidades operacionais, compatíveis com princípios de conscientização empresarial, que vêm se expandindo consideravelmente no Brasil. É um mecanismo que tem por objetivo identificar ou atestar determinada característica do produto ou da atividade turística.

Os tipos de certificações estão divididos em: Certificação de parceiros; Auto certificação / declaração e Certificação Independente. Para que a certificação possua credibilidade é necessário ser: independente; tecnicamente consistente; não discriminatória; transparente e voluntária.

No geral, o processo de certificação ocorre de acordo com o fluxograma abaixo:

Fonte: PCTS

A questões consideradas na certificação implicam em:

- Conservação de água;

- Conservação de energia;

- Minimização e tratamento de lixo;

- Produtos locais ou produzidos de maneira sustentável;

-Capacitação do equipe de funcionários.

Assuntos relacionados com a erradicação da pobreza:

-Compromisso com o emprego local;

-Compra local de produtos e serviços;

-Apóio às empresas de pequena escala;

-Acesso aos recursos locais.

Benefícios Potenciais da Certificação:

- Escolhas responsáveis de ponto de vista ambiental e social;

- Consciência de práticas de comércio responsáveis;

- Educar empresas/operadores;

- Elevar normas das empresas;

- Possíveis economias de custos;

- Proteger a base de recursos para o turismo;

- Fornecer benefício de mercado aos (produtos) certificados;

- Participação na certificação;

- Proteger a imagem/reputação do destino.

Certificações, padrões e parâmetros setoriais e governamentais de qualidade estão sendo incorporados às políticas públicas como instrumentos de diferenciação. Já existe uma crescente demanda da sociedade por ofertas turísticas associadas à utilização sustentável dos patrimônios natural e cultural. Esse crescente interesse por parte dos consumidores é reconhecido pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – ABIH, com a criação do Programa de Responsabilidade Ambiental Hóspedes da Natureza – PHN, em 2001. A adequação do parque hoteleiro brasileiro a critérios de sustentabilidade, constitui uma importante ferramenta promocional dos destinos nacionais nos principais centros emissores internacionais.

Para estimular a gestão ambiental, através dos Selos ABIH de Comprometimento Ambiental, foram adotadas as metas do Environmental Action Pack, manual de adequação ambiental do International Hotel Environment Initiative, com sede em Londres. Pra adequar essas metas às condições brasileiras, e para facilitar a adesão de novos empreendedores, o Programa ganhou o apoio do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade. A perspectiva de responsabilidade social foi introduzida a esse processo, enfatizando a necessidade de envolvimento das equipes profissionais, os fornecedores, as comunidades locais e os hóspedes (ABIH, 2003). Com o objetivo de introduzir “a cultura de investimentos em ações socioambientais que revertam em benefícios econômicos, sociais e ambientais para o empreendimento em si e para comunidade em geral, com efetiva participação dos hóspedes” (ABIH, 2003).

O compromisso com a sustentabilidade da atividade hoteleira inclui a busca do equilíbrio entre oferta e demanda, a redução, e a possível eliminação, de desperdícios, incluindo o de potencial humano. (PACHECO & IRVING, 2005, p.315)

O processo para estabelecimento de um sistema de certificação confiável, necessita de normas e critérios adequados ao contexto em que serão aplicados, gerados por um processo participativo envolvendo diversos segmentos do turismo: sociedade civil, governo e setor privado. Tal processo possibilita um diálogo entre os atores, conhecimento dos interesses e barreiras vividas por cada setor, e a busca de soluções comuns. Fazendo com que esta trajetória gere uma desejada “apropriação” do sistema a elaborar, fator determinante na adesão às práticas sustentáveis, já que o sistema é voluntário.

Entretanto vale ressaltar que a certificação não é a única solução para a sustentabilidade, mas sim uma das ferramentas para se chegar lá. Neste contexto, é fundamental prosseguir através de um processo verdadeiramente participativo, em base as experiências brasileiras (e aquelas internacionais de relevância) com definição e elaboração de normas e indicadores ambientais possíveis de serem adotados pelo pequeno e médio empresário.

O novo paradigma do TURISMO SUSTENTÁVEL considera a autenticidade cultural, a inclusão social, a conservação do meio ambiente e a qualidade dos serviços, como peças fundamentais para a viabilidade econômica do turismo ao longo prazo.

É importante frisar que já existe no Brasil um Programa de Certificação em Turismo Sustentável – PCTS, realizado pelo IH – Instituto de Hospitalidade em parceria com o CBTS – Conselho Brasileiro de Turismo Sustentável, onde se pretende apoiar os empreendedores do turismo, especificamente os meios de hospedagens, a responder aos novos desafios do setor de turismo aprimorar a qualidade e a competitividade das micro e pequenas empresas (MPE) de turismo, estimulando seu melhor desempenho nas áreas econômica, ambiental, cultural e social, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável do país e a melhoria da imagem do destino Brasil no exterior. Tendo como principais objetivos:

  • Desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Normas e de Certificação em turismo sustentável;
  • Disseminar informações sobre tecnologias e boas práticas sustentáveis, visando a melhoria de qualidade, meio ambiente, segurança e responsabilidade social no setor turístico;
  • Capacitar profissionais para prestar assessoria técnica às empresas;
  • Fornecer subsídios para implementar boas práticas sustentáveis nas micro e pequenas empresas (MPE);
  • Promover as empresas participantes e a imagem do destino Brasil Sustentável em mercados internacionais;
  • Envolver as partes interessadas no debate sobre a sustentabilidade das atividades do setor do turismo.

Existe também o Programa de Qualificação e Certificação do Turismo de Aventura, juntamente com o Ministério do Turismo em parceira com o SEBRAE Nacional, executado através de um convênio com a ABETA – Associação Brasileira das Empresas de Turismo de Aventura. Tem como principal objetivo, melhorar a qualidade, a segurança e a competitividade dos profissionais e empresas do segmento de turismo de aventura no país através de ações de qualificação, certificação e disseminação de conhecimento.

 

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