RESUMO
O artigo tem o intuito de apresentar o Índice de Desenvolvimento Turístico – IDT, como elemento de reflexão, decorrente de uma revisão de literatura, em busca de verificar a sua contribuição ao setor turístico relacionado ao desenvolvimento de uma localidade. Foi tomado como base o efeito multiplicador da atividade turística e seus impactos na economia e comunidade receptora de turistas, conceitos e definições de indicadores. Mostrando também a importância dos indicadores para a elaboração do planejamento turístico desejado.
Palavras-chave: indicadores, desenvolvimento, turismo, planejamento.
INTRODUÇÃO
No momento atual a palavra que vem ocupando o centro das discussões é o desenvolvimento sustentável, paralelo aos desafios da desigualdade social, do desemprego, da pobreza, dos desequilíbrios ambientais e da paz mundial. Há, no entanto, um momento de incerteza de novos tempos, com as transformações que resultam do processo de transição da modernidade para a sociedade pós-moderna.
De acordo com Latour (1994) vivemos num mundo povoado por objetos híbridos, nos quais não conseguimos mais fazer operar as modernas práticas de purificação responsáveis por estabelecer as distinções entre o natural e o social, objeto e o sujeito.
Diante deste cenário aparecem novas representações sócio-econômicas, pois crescimento econômico não significa necessariamente desenvolvimento, muitas regiões, apesar de possuírem suas economias em ascensão permanecem estagnadas ou até em declínio em relação às questões sociais e ambientais.
Atualmente os indicadores que determinam o desenvolvimento, não estão baseados somente as questões econômicas. Como mostra Veiga (apud RIVERO, 2006 p. 22 – 23) “são os gurus do mito do desenvolvimento que têm uma visão quantitativa do mundo. Ignoram os processos qualitativos histórico-culturais, o progresso não-linear da sociedade, as abordagens éticas, e até prescindem dos impactos ecológicos”.
Como uma das novas representações socioeconômica, surge à atividade do turismo, considerada uma das mais relevantes atividades econômicas, que vem se desenvolvendo com muita rapidez, que mais gera renda, distribui riqueza, cria empregos, combate à pobreza e promove o entendimento entre as pessoas e os povos.
Apresenta-se como um espaço de tendência das diferentes teorias, capaz de articular um processo de desenvolvimento, em que se preocupe em resgatar a identidade e promover o ser humano, preservar e melhorar o meio ambiente e patrimônio histórico e cultural.
De acordo com (AMARAL e TEXEIRA 2006, p. 1052) “a atividade turística pode ser uma oportunidade para alguns lugares se desenvolver; muitos países têm na atividade enorme potencialidade de desenvolvimento”. Os autores ainda colocam que a atividade turística é impactante; porém há impactos que podem ser maléficos e outros que podem ser benéficos para a localidade em que esta atividade se desenvolve.
A realidade mundial socioeconômica mostra que algumas questões que envolvem o desenvolvimento de uma localidade através da atividade turística devem ser discutidas. Então ficam as indagações:
- O segmento do turismo seria um fator de desenvolvimento local?
- Até que ponto os indicadores pode contribuir na análise e desenvolvimento da atividade turística de uma localidade?
Entretanto, o propósito deste artigo é apresentar o Índice de Desenvolvimento Turístico – IDT, para refletirmos sobre a sua contribuição em relação ao segmento turístico como fator ao desenvolvimento de uma localidade.
TURISMO, DESENVOLVIMENTO E PLANEJAMENTO
O turismo se transformou em uma atividade marcante, constituindo-se em uma das maiores fontes de renda no mundo. Observa-se um crescimento contínuo do fenômeno turístico em toda a face da terra e sua contribuição para a criação de riquezas e melhoria do bem-estar dos cidadãos. Faz-se sentir de múltiplas formas: entrada de divisas, geração e produção de novos empregos, desenvolvimento de infra-estruturas em diversos setores, promoção da satisfação dos indivíduos, preocupação com o meio ambiente e recuperação do patrimônio histórico e cultural.
Esta afirmação é reforçada por Trigo (1998, p. 9) dizendo que:
O turismo está entrelaçado com o entretenimento, à indústria cultural eletrônica e imprensa, o esporte e a saúde (…). O turismo é discutido atualmente como uma das forças transformadoras do mundo pós-industrial (…). Com a implementação de novas tecnologias, como a informática e as telecomunicações e a engenharia genética, o turismo está ajudando a redesenhar as estruturas mundiais, influenciando a globalização e, em última análise, a nova ordem econômica internacional.
O turismo tem efeito direto e indireto na economia de uma localidade ou região. Os efeitos diretos são os resultados das despesas realizadas pelos turistas dentro dos próprios equipamentos e de apoio, pelos quais o turista pagou diretamente. Os efeitos indiretos do turismo são resultantes da despesa efetuada pelos equipamentos e prestadores de serviços turísticos na compra de bens e serviços de outro tipo. Trata-se de um dinheiro que foi trazido pelo turista, mas que será gasto por outrem que o recebera do turista em primeira mão. Numa terceira etapa de circulação do dinheiro do turista estão os efeitos induzidos, que são constituídos pelas despesas realizadas por aqueles que receberam o dinheiro dos prestadores dos serviços turísticos e similares. (BARRETO, 1995)
De acordo com os dados do Banco Central do Brasil, em 2005 o país alcançou a receita cambial turística de US$ 3,86 bilhões, superior em 19,83% ao ano de 2004 (US$ 3,22 bilhões), atingindo marca de 34 meses consecutivos de crescimento, desde março de 2003 (tabela 1).
Tabela 1
RECEITA CAMBIAL TURÍSTICA
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ANO
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(MILHÕES US$)
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2003
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2,48 (US$)
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2004
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3,222 (US$)
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2005
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3,861 (US$)
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Fonte: BRASIL, 2006[1]
O turismo, entretanto contribui com a geração de trabalho, ocupação e renda, e conseqüentemente a melhoria da qualidade de vida da população. De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego, o mercado formal de trabalho em turismo no país, passou de 1.499.497 pessoas empregadas, em 2001, para 1.913.936 pessoas empregadas, em 2005, o que representa um crescimento da ordem de 28% em quatro anos (tabela 2).
Tabela 2
EVOLUÇÃO NO NÚMERO DE EMPREGOS FORMAIS NA ATIVIDADE TURÍSTICA
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2001
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2002
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2003
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2004
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2005
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ACUMULADO
2003/2004/2005
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1.499.497
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1.651.022
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1.724.587
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1.825.526
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1.913.936
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262.914
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Fonte: BRASIL, 2006[2]
Já não se pode mais negar de que o turismo hoje seja um grande gerador de divisas e empregos, e fator decisivo no desenvolvimento socioeconômico das localidades e que precisa se adaptar às novas exigências do mercado e de seus clientes.
De acordo com Dias (2003, p. 159),
O turismo, enquanto uma atividade a ser integrada no modelo de desenvolvimento local apresenta características específicas. Uma das mais importantes e que o diferencia de outras atividades econômicas é que deve ser consumida no local a matéria-prima que o sustenta. Nesse sentido, é uma atividade que apresenta dupla face, pois ao mesmo tempo em que o espaço é produtivo, um espaço de produção e geração de atividade, também é um espaço de consumo.
Percebe, entretanto que o turismo possui relação mútua com diversos setores da economia, e para que haja um desenvolvimento turístico adequado, é necessário integrá-lo as demais atividades existentes na localidade, refletir como a atividade pode ser concebida no ideário e no papel do planejamento desenvolvimentista. Pois o turismo dependendo da maneira que está sendo implementado, pode se tornar o inverso do propósito de desenvolvimento, concentrador de renda, excludente e perpetuador de desigualdades socioespaciais e negligente na utilização dos recursos naturais.
Para que essa atividade seja realmente considerada uma forma de desenvolvimento para uma localidade, é preciso entender e funcionar de acordo com a as redes políticas, sociais, ambientais e econômicas. Como mostra Silva (2003, p. 09)
O desenvolvimento deve ser visto no seu sentido amplo, valorizando o crescimento com efetiva distribuição de renda, com superação significativa dos problemas sociais e comprometimento ambiental, o que só pode ocorrer com profundas mudanças nas estruturas e processos econômicos, sociais, políticos e culturais de uma dada sociedade.
Conforme Ruschmann (1997), o desenvolvimento do turismo em uma determinada localidade passa por sete fases: exploração, investimento, desenvolvimento, consolidação, estagnação, declínio e rejuvenescimento.
Então, a ligação entre turismo e desenvolvimento é demonstrada a partir dos efeitos social e produtivo, impactos ambientais, fluxos de turistas, mudanças na cultura da localidade e exercícios de cada região, dentre outros. Daí a importância da elaboração do planejamento do turismo para criar condições para o desenvolvimento turístico desejado.
É percebido, entretanto, que essa atividade possui inter-relações com os demais setores da economia e que influencia e sofre influências dos diversos segmentos da estrutura administrativa local, precisando assim ficar atentos as oportunidades e ameaças, que o setor pode causar. Sendo as oportunidades criação de novos empregos, proteção ambiental e cultural, aumento da renda, dentre outras e as ameaças, doenças que podem prejudicar a comunidade local, mudanças nos valores culturais, modificação nos padrões de consumo dentre outros, devido ao modelo de desenvolvimento turístico que é marcado pela improvisação e pela cultura do curto prazo.
Para que a atividade do turismo seja aproveitada da melhor maneira e assim possa proporcionar de fato o desenvolvimento, segundo Amaral e Teixeira (2006) é necessário que se realize um planejamento, possibilitando o crescimento econômico associado com o desenvolvimento nos campos: social, cultural e ecológico.
Entretanto, seu desenvolvimento sempre esteve pautado no mesmo molde de qualquer outra atividade humana – o enfoque econômico. Enquanto o turismo pode contribuir sensivelmente para o desenvolvimento socioeconômico e cultural de amplas regiões, tem, ao mesmo tempo, o potencial para degradar o ambiente natural, as estruturas sociais e a herança cultural dos povos.
Como afirma Dias (2003, p. 13), por mais que pesem os importantes aspectos positivos do desenvolvimento turístico, há problemas que devem ser contornados e que podem trazer graves conseqüências para qualquer localidade, e que só poderão ser evitados com o rigoroso planejamento da atividade e participação ativa de amplo leque de atores, destacando-se: a comunidade receptora, órgãos da administração pública, empresários do ramo, visitantes e organizações do terceiro setor.
INDICADORES
Indicador é algo que indica uma tendência de forma quantificada, ou uma medida ao longo do tempo que é mensurada em determinado espaço, onde fornece informações e comportamentos dos fenômenos abordados. É importante que ele seja útil (para facilitar o planejamento); prático, preciso e claro (facilitando a compreensão dos dados, pois quantifica apenas o necessário e, dessa forma, de fácil aplicação); sensível (capta mudanças mesmo que mínimas) e confiável, pois é reflexo da realidade.
Conforme abordagem de Mueller et al. (1997), um indicador pode ser um dado individual ou um agregado de informações. A proporção de domicílios em terrenos próprios e quitados, por exemplo, é um indicador das condições de segurança de posse da cidade. Mesmo sendo um dado simples, obtido pelas pesquisas como PNAD, POF, Censo e pesquisa Origem/Destino, tem significado importante na tentativa de explicação da degradação ou não daquele determinado trecho urbano e sua relação direta com a segurança da posse, permitindo inferir em que medida práticas no espaço público estão ou não diretamente relacionadas com o indicador acima mencionado.
A formulação de modelos de representação das condições de vida, da população e de seus espaços, através de indicadores índices de demanda certos atributos que respondam às diferentes dimensões de análise. Um bom indicador, de acordo com Mueller et at. (1997) deve conter os seguintes atributos
- Simplificação: um indicador deve descrever de forma sucinta o estado do fenômeno estudado. Mesmo com causas complexas, deve ter a capacidade de sintetizar e refletir da forma mais próxima possível à realidade;
- Quantificação: enquanto número, a natureza representativa do indicador deve permitir coerência estatística e lógica com as hipóteses levantadas na sua consecução;
– Comunicação: o indicador deve comunicar eficientemente o estado do fenômeno observado. Um bom indicador, via de regra, simplifica para tornar quantificável aspectos do fenômeno, de forma a permitir a comunicação;
– Validade: um indicador deve ser produzido em tempo oportuno, pois é um importante elemento no processo decisório dos setores público e privado;
– Pertinência: o indicador deve atender às necessidades dos seus usuários. Deve
transmitir informações de forma fácil com base cientifica e método adequados.
Diante destes atributos percebe-se que as coleções estatísticas sobre o universo urbano devem responder à ampla maioria das dimensões que o constituem, ou seja, os indicadores devem contemplar recortes em séries temporais e espaciais, pois caso contrário trata-se não de um sistema, mas de um banco de dados urbanos.
A utilização dos princípios e metodologia, que sustentam o Índice Desenvolvimento Humano ainda não foi aplicada ao turismo. É nesta linha que é apresentado o Índice de Desenvolvimento Turístico – IDT, que propõe verificar qual o nível de desenvolvimento turístico de um destino, seja uma cidade, localidade, região ou país, de modo a poder dar uma noção do estado desse local, ao longo do seu ciclo de vida, mensurar, identificar e demonstrar aos órgãos responsáveis o rumo e as dificuldades que atravessa a atividade turística em uma localidade específica e em um período de tempo determinado, possibilitando a criação de um banco de dados que demonstrará a evolução do turismo, se está direcionado à sustentabilidade, à preservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental e ao desenvolvimento social da comunidade local.
É importante ressaltar, conforme Ko (2005) que a informação obtida deve servir como referência e não como uma solução absoluta, pois como diz Wilson (1998) não é possível encontrar uma medida correta da contribuição do turismo para a economia.
Para o planejamento turístico, o IDT funcionará como um meio de avaliação e monitoração se os objetivos e metas do setor público e privado estão sendo alcançados, no sentido da sustentabilidade e desenvolvimento social, podendo também demonstrar as falhas existentes, para que possam ser corrigidas em planejamentos futuros. É comum erros e acontecimentos inesperados influenciarem no alcance dos objetivos pré-determinados (CASTRO e NASCIMENTO 2007).
A criação do IDT visa um método de avaliação e comparação da atividade turística que possa ser calculado universalmente. Dessa forma, alguns itens relevantes para o Turismo (ex.: condições das estradas rodoviárias) não seguem regra geral de influenciar, da mesma forma, em todas as localidades a sustentabilidade e o desenvolvimento social e por isso não devem ser incluídas no calculo do Índice de Desenvolvimento Turístico. Também não devem ser acrescentadas ao índice, medidas subjetivas como a classificação da importância turística dos atrativos da localidade, pois cada visitante pode apresentar interesses diferentes de outro.
Para o cálculo, serão utilizados, o máximo possível, dados de indicadores já existentes oferecidos pelos órgãos públicos e que possuem credibilidade junto à sociedade, a fim de facilitar sua implementação e diminuir custos, tais como da EMBRATUR e IBGE.
A sustentabilidade é a visão de que a região deve preservar o meio ambiente, a cultura e história do local. Para isso, são importantes, para a população local, a conscientização e a informação detalhada e clara sobre os efeitos que o turismo pode desencadear e o papel primordial dos moradores da região na atividade turística. A população local deverá ser inserida em todo o contexto, não apenas obtendo lucros, mas participando também do lazer oferecido. E para que isso ocorra, os órgãos públicos devem criar e apoiar ações e leis que regulamentam os investimentos.
O crescimento do turismo em determinada região não implica que ocorrerá desenvolvimento. Por isso, a questão principal do IDT será calcular, além da a sustentabilidade do fenômeno turístico em determinada região, o desenvolvimento econômico, as alterações na qualidade de vida da população local e a qualidade da visita.
Segundo Castro e Nascimento (2007) para ser calculado, o IDT foi dividido em três grupos. O grupo denominado de “Desenvolvimento Econômico” calcula se a comunidade local também se beneficia do turismo; o grupo “Infra-Estrutura Básica da Localidade” calcula a qualidade dos serviços públicos oferecidos que influenciam na qualidade de vida da comunidade e na qualidade da viagem dos turistas; e o grupo “Meio Ambiente”, que calcula a preservação do patrimônio natural, cultural e histórico. Todos os “grupos” são responsáveis pela sustentabilidade do fenômeno turístico.
Para cada grupo definido no IDT existem tópicos e fórmulas específicos a serem analisados e realizados, que darão suporte para o resultado final. No cálculo final do Índice de Desenvolvimento Turístico – IDT, obtém-se o valor final que será um número “x” tal que “x” é maior-igual a 0 (zero) e/ou menor-igual a 1 (um). Quanto mais próximo do número 1 (um), melhor é o Índice do território em questão. Realiza o somatório, IDT= DE (desenvolvimento econômico) + IB (infra-estrutura básica) + MA (meio ambiente) e divide por 3 (três).
O Índice de Desenvolvimento Turístico não engloba todos os fatores responsáveis para a sustentabilidade e o desenvolvimento social, mas, através dos “pontos” selecionados, é reflexo da realidade de todos os fatores. É importante a articulação e organização de todos os setores da sociedade, conscientes da importância do IDT, para que o Índice possa ser calculado, a fim de mostrar a realidade da atividade turística em determinada região.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A atividade turística, de acordo com seu efeito multiplicador: entrada de divisas, geração e produção de novos empregos, desenvolvimento de infra-estruturas em diversos setores, promoção da satisfação dos indivíduos, preocupação com o meio ambiente e recuperação do patrimônio histórico e cultural. Percebe, entretanto, que esta pode representar uma excelente alternativa para o desenvolvimento local de maneira a preservar a identidade local, conservar os patrimônios (natural e cultural) e dinamizar a economia das cidades.
Por conseguinte, desenvolvimento não deve ser entendido apenas como sinônimo de crescimento ou desenvolvimento econômico, embora muitos continuem para reduzi-lo a este significado, por ser mensurado por meio do Produto Nacional Bruto – PNB ou Produto Interno Bruto – PIB e pela modernização tecnológica, em que ambos se estimulam reciprocamente. Como foi mostrado o desenvolvimento vai além das questões econômicas, pois muitas regiões, apesar de possuírem suas economias em ascensão permanecem estagnadas ou até em declínio em relação às questões sociais e ambientais.
O modelo proposto do IDT pressupõe a utilização de dados oficiais, com isso poderá levar no tempo a um maior controle por parte das autoridades, de modo a melhorar a sua posição num eventual “ranking turístico” e realmente focar em um desenvolvimento em prol da comunidade. Como diz Tooman (1997a) para proporcionar benefícios às populações locais resultantes do desenvolvimento turístico, as políticas a serem implementadas devem controlar o crescimento e centrar-se na diversidade econômica, daí a importância que tenhamos várias variáveis identificadas como condições turísticas. Também defende que um destino pode ser entendido como uma combinação (ou até uma marca) de todos os produtos, serviços e experiências proporcionadas pelo lugar.
É notado, entretanto que o modelo de medição do desenvolvimento turístico de acordo com Índice de desenvolvimento Turístico proposto reforça essa mesma consciência política, pois permite incrementar as áreas mais debilitadas em termos de desenvolvimento turístico, como é o caso da infra-estrutura básica, do meio ambiente e da geração de emprego e renda para a população local.
REFERÊNCIAS
AMARAL, Patrícia Daliany A. do e TEIXEIRA, Kátia Simone S. Turismo e Desenvolvimento: escolhas que fazem a diferença. X Encontro Nacional de Turismo com Base Local. João Pessoa, p. 1051 – 1060, 2007.
BARRETO, Margarita. Manual de iniciação ao estudo do turismo. Campinas: Papirus, 1995.
BRASIL, Ministério do Turismo. O Turismo no Brasil 2007/20010. Brasília. 2006.
BUARQUE, Sérgio C. Construindo o desenvolvimento local sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2006.
CASTRO, André Luiz Costa de e NASCIMENTO, Raquel Lima. Índice de Desenvolvimento Turístico. <http://www.etur.com.br> Acesso em: 25 de julho de 2007.
DIAS, Reinaldo. Planejamento do Turismo: política e desenvolvimento do turismo no Brasil. São Paulo: Atlas, 2003.
KO, T.G. (2005). Development of a tourism sustainability assessment procedure: a conceptual approach. Tourism Management (26), pp. 431-445.
LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Tradução de Carlos Irineu da Costa, Rio de Janeiro: Ed.34, 1994.
MUELLER ,C. C.; TORRES, M.; MORAIS, M. P. Referencial básico para a construção de um sistema de indicadores urbanos. IPEA, Brasília, 1997.
RUSCHMANN, Doris Van. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio ambiente. 12ª ed. Campinas, SP: Papirus, 1997.
SILVA, S. B. M. O turismo como instrumento de desenvolvimento e redução da pobreza: uma perspectiva territorial. CORIOLANO, L. N. M. T., LIMA, L. C. (orgs) Turismo comunitário e responsabilidade sócio-ambiental. Fortaleza: EDUECE, 2003. pp.19-25.
TOOMAN, L.A. (1997a). Applications of the lifecycle model in tourism. Annals of Tourism Research (24), pp. 214-234.
WILSON, K. (1998). Market / Industry confusion in tourism economic analyses. Annals of Tourism Research (25), pp. 803-817.
TRIGO, Luiz Gonzaga Godói. A sociedade Pós-Industrial e o Profissional de Turismo. São Paulo: Campus, 1998.
VEIGA, José Eli da. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Garamond, 2ª edição, 2006.
[1] São dados originalmente do Banco Central do Brasil, citados pelo Ministério do Turismo.
[2] Dados da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, citados pelo Ministério do Turismo.