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DESENVOLVIMENTO E TURISMO – PARTE 4
CONSIDERAÇÕES FINAIS

A atividade turística, de acordo com seu efeito multiplicador: entrada de divisas, geração e produção de novos empregos, desenvolvimento de infra-estruturas em diversos setores, promoção da satisfação dos indivíduos, preocupação com o meio ambiente e recuperação do patrimônio histórico e cultural. Percebe, entretanto, que esta pode representar uma excelente alternativa para o desenvolvimento local de maneira a preservar a identidade local, conservar os patrimônios (natural e cultural) e dinamizar a economia das cidades.

Por conseguinte, desenvolvimento não deve ser entendido apenas como sinônimo de crescimento ou desenvolvimento econômico, embora muitos continuem para reduzi-lo a este significado, por ser mensurado por meio do Produto Nacional Bruto – PNB ou Produto Interno Bruto – PIB e pela modernização tecnológica, em que ambos se estimulam reciprocamente. Como foi mostrado o desenvolvimento vai além das questões econômicas, pois muitas regiões, apesar de possuírem suas economias em ascensão permanecem estagnadas ou até em declínio em relação às questões sociais e ambientais.

A história tem mostrado, e o Brasil é um exemplo a esse respeito, especialmente se recordar a época do chamado – milagre econômico – em fins dos anos 60 e começo dos anos 70, que o desenvolvimento estritamente econômico pode ocorrer sem que, forçosamente haja melhoria no quadro de concentração de renda ou dos indicadores sociais, o inverso do chamado desenvolvimento local e sustentável, que tem suas bases voltadas para as preocupações sociais, ambientais, além dos interesses restritamente econômicos, visando melhorias na qualidade de vida da comunidade local.

Ademais, o segmento do turismo é visto como estratégia para o desenvolvimento local, por ser uma atividade capaz de alavancar o desenvolvimento socioeconômico e consequentemente cuidar dos recursos naturais e culturais, mas é preciso planejar para enfrentar alguns desafios, principalmente ao saber conciliar os benefícios econômicos do turismo sem reduzir a localidade a uma simples mercadoria, e socializar as oportunidades, possibilitando que os segmentos da população participem dos caminhos de decisão e os utilizem como instrumento de mudança e ação política, tendo em vista a promoção do desenvolvimento visando o ser humano.

REFERÊNCIAS

AMARAL, Patrícia Daliany A. do e TEIXEIRA, Kátia Simone S. Turismo e Desenvolvimento: escolhas que fazem a diferença. X Encontro Nacional de Turismo com Base Local. João Pessoa, p. 1051 – 1060, 2007.

BARRETO, Margarita. Manual de iniciação ao estudo do turismo. Campinas: Papirus, 1995.

BECK, U.  Risk society. Towards a new modernity. Londres, Sage Publications, 1992.

BENKO, G. Economia, espaço e globalização na aurora do século XXI. 2ª ed. São Paulo: Hucitec, 1999

BRASIL, Ministério do Turismo. O Turismo no Brasil 2007/20010. Brasília. 2006.

BUARQUE, Sérgio C. Construindo o desenvolvimento local sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2006.

BUARQUE, Sérgio C. e BEZERRA, Lucila. Projeto de desenvolvimento municipal sustentável- bases referenciais. Projeto Áridas, dezembro de 1994.

CORIOLANO, Luzia Neide Menezes. Os limites do Desenvolvimento e do Turismo. In: CORIOLANO, Luzia Neide Menezes (org.) O Turismo de Inclusão e Desenvolvimento Local. Fortaleza: Editora Premius, 2003.

DIAS, Reinaldo. Planejamento do Turismo: política e desenvolvimento do turismo no Brasil. São Paulo: Atlas, 2003.

GUIMARÃES, Roberto P. A Ecopolítica da Sustentabilidade em Tempos de Globalização Corporativa. In: GARAY, I. e BECKER B. K. Dimensões Humanas da Biodiversidade. Petrópolis: Vozes, 2006.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Tradução de Carlos Irineu da Costa, Rio de Janeiro: Ed.34, 1994.

MARTINS, S. R. O. Desenvolvimento local: questões conceituais e metodológicas. Interações. Campo Grande, v.3, n.5, p.51- 58, setembro de 2002.

MELLO, Claiton; STREIT, Jorge; ROVAI, Renato. (org.) Geração de trabalho e renda, economia solidária e desenvolvimento local: a contribuição da Fundação Banco do Brasil. São Paulo: Publisher Brasil, 2006.

ROMEIRO, Ademar R. Economia ou economia política da sustentabilidade. In: MAY, P., LUSTOSA, M. C. e VINHA, V.(2003). Economia do Meio Ambiente. Rio de janeiro: Campus, 2003.

SERRES, Michel. O Contrato Natural. Tradução: Serafim Ferreira. Lisboa: Epistemologia e Sociedade, 1990.

SILVA, S. B. M. O turismo como instrumento de desenvolvimento e redução da pobreza: uma perspectiva territorial. CORIOLANO, L. N. M. T., LIMA, L. C. (orgs) Turismo comunitário e responsabilidade sócio-ambiental. Fortaleza: EDUECE, 2003. pp.19-25.

VEIGA, José Eli da. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Garamond, 2ª edição, 2006.

 

DESENVOLVIMENTO E TURISMO – PARTE 3
TURISMO, DESENVOLVIMENTO E PLANEJAMENTO

O turismo se transformou em uma atividade marcante, constituindo-se em uma das maiores fontes de renda no mundo. Observa-se um crescimento contínuo do fenômeno turístico em toda a face da terra e sua contribuição para a criação de riquezas e melhoria do bem-estar dos cidadãos. Faz-se sentir de múltiplas formas: entrada de divisas, geração e produção de novos empregos, desenvolvimento de infra-estruturas em diversos setores, promoção da satisfação dos indivíduos, preocupação com o meio ambiente e recuperação do patrimônio histórico e cultural.

Esta afirmação é reforçada por Trigo (1998, p. 9) dizendo que:

O turismo está entrelaçado com o entretenimento, à indústria cultural eletrônica e imprensa, o esporte e a saúde (…). O turismo é discutido atualmente como uma das forças transformadoras do mundo pós-industrial (…). Com a implementação de novas tecnologias, como a informática e as telecomunicações e a engenharia genética, o turismo está ajudando a redesenhar as estruturas mundiais, influenciando a globalização e, em última análise, a nova ordem econômica internacional.

O turismo tem efeito direto e indireto na economia de uma localidade ou região. Os efeitos diretos são os resultados das despesas realizadas pelos turistas dentro dos próprios equipamentos e de apoio, pelos quais o turista pagou diretamente. Os efeitos indiretos do turismo são resultantes da despesa efetuada pelos equipamentos e prestadores de serviços turísticos na compra de bens e serviços de outro tipo. Trata-se de um dinheiro que foi trazido pelo turista, mas que será gasto por outrem que o recebera do turista em primeira mão. Numa terceira etapa de circulação do dinheiro do turista estão os efeitos induzidos, que são constituídos pelas despesas realizadas por aqueles que receberam o dinheiro dos prestadores dos serviços turísticos e similares. (BARRETO, 1995)

De acordo com os dados do Banco Central do Brasil, em 2005 o país alcançou a receita cambial turística de US$ 3,86 bilhões, superior em 19,83% ao ano de 2004 (US$ 3,22 bilhões), atingindo marca de 34 meses consecutivos de crescimento, desde março de 2003 (tabela 1).

Tabela 1

RECEITA CAMBIAL TURÍSTICA

ANO

(MILHÕES US$)

2003

2,48 (US$)

2004

3,222 (US$)

2005

3,861 (US$)

Fonte: BRASIL, 2006[1]

O turismo, entretanto contribui com a geração de trabalho, ocupação e renda, e consequentemente a melhoria da qualidade de vida da população. De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego, o mercado formal de trabalho em turismo no país, passou de 1.499.497 pessoas empregadas, em 2001, para 1.913.936 pessoas empregadas, em 2005, o que representa um crescimento da ordem de 28% em quatro anos (tabela 2).

Tabela 2

EVOLUÇÃO NO NÚMERO DE EMPREGOS FORMAIS NA ATIVIDADE TURÍSTICA

2001

2002

2003

2004

2005

ACUMULADO

2003/2004/2005

1.499.497

1.651.022

1.724.587

1.825.526

1.913.936

262.914

Fonte: BRASIL, 2006[2]

Já não se pode mais negar de que o turismo hoje seja um grande gerador de divisas e empregos, e fator decisivo no desenvolvimento socioeconômico das localidades e que precisa se adaptar às novas exigências do mercado e de seus clientes.

De acordo com Dias (2003, p. 159),

O turismo, enquanto uma atividade a ser integrada no modelo de desenvolvimento local apresenta características específicas. Uma das mais importantes e que o diferencia de outras atividades econômicas é que deve ser consumida no local a matéria-prima que o sustenta. Nesse sentido, é uma atividade que apresenta dupla face, pois ao mesmo tempo em que o espaço é produtivo, um espaço de produção e geração de atividade, também é um espaço de consumo.

Nesse sentido, percebe que o turismo possui relação mútua com diversos setores da economia, e para que haja um desenvolvimento turístico adequado, é necessário integrá-lo as demais atividades existentes na localidade, refletir como a atividade pode ser concebida no ideário e no papel do planejamento desenvolvimentista. Pois o turismo dependendo da maneira que está sendo implementado, pode se tornar o inverso do propósito de desenvolvimento, concentrador de renda, excludente e perpetuador de desigualdades socioespaciais e negligente na utilização dos recursos naturais.

Para que essa atividade seja realmente considerada uma forma de desenvolvimento para uma localidade, é preciso entender e funcionar de acordo com a as redes políticas, sociais, ambientais e econômicas. Como mostra Silva (2003, p. 09)

O desenvolvimento deve ser visto no seu sentido amplo, valorizando o crescimento com efetiva distribuição de renda, com superação significativa dos problemas sociais e comprometimento ambiental, o que só pode ocorrer com profundas mudanças nas estruturas e processos econômicos, sociais, políticos e culturais de uma dada sociedade.

Conforme Ruschmann (1997), o desenvolvimento do turismo em uma determinada localidade passa por sete fases: exploração, investimento, desenvolvimento, consolidação, estagnação, declínio e rejuvenescimento.

Então, a ligação entre turismo e desenvolvimento é demonstrada a partir dos efeitos social e produtivo, impactos ambientais, fluxos de turistas, mudanças na cultura da localidade e exercícios de cada região, dentre outros. Daí a importância da elaboração do planejamento do turismo para criar condições para o desenvolvimento turístico desejado.

O turismo é uma atividade peculiar e seu planejamento requer um enfoque multidisciplinar, o que está na oposição da área de administração, que pretende restringi-lo. O planejamento do turismo necessita do conhecimento das mais diversas áreas e do entendimento deste como um sistema, para que possa ser implementado com sustentabilidade (FÁVERO, 2006, p.142).

É percebido, entretanto, que essa atividade possui inter-relações com os demais setores da economia e que influencia e sofre influências dos diversos segmentos da estrutura administrativa local, precisando assim ficar atentos as oportunidades e ameaças, que o setor pode causar. Sendo as oportunidades criação de novos empregos, proteção ambiental e cultural, aumento da renda, dentre outras e as ameaças, doenças que podem prejudicar a comunidade local, mudanças nos valores culturais, modificação nos padrões de consumo dentre outros, devido ao modelo de desenvolvimento turístico que é marcado pela improvisação e pela cultura do curto prazo.

Para que a atividade do turismo seja aproveitada da melhor maneira e assim possa proporcionar de fato o desenvolvimento, segundo Amaral e Teixeira (2006) é necessário que se realize um planejamento, possibilitando o crescimento econômico associado com o desenvolvimento nos campos: social, cultural e ecológico.

Como um dos fenômenos marcantes da atualidade, o turismo é uma das mais vigorosas atividades econômicas mundiais, principalmente o setor de serviços, sendo considerado um dos três lideres mundiais em produtividade, com conseqüente ampliação da oferta de emprego e geração de renda.

Entretanto, seu desenvolvimento sempre esteve pautado no mesmo molde de qualquer outra atividade humana – o enfoque econômico. Enquanto o turismo pode contribuir sensivelmente para o desenvolvimento socioeconômico e cultural de amplas regiões, tem, ao mesmo tempo, o potencial para degradar o ambiente natural, as estruturas sociais e a herança cultural dos povos.

Como afirma Dias (2003, p. 13), por mais que pesem os importantes aspectos positivos do desenvolvimento turístico, há problemas que devem ser contornados e que podem trazer graves conseqüências para qualquer localidade, e que só poderão ser evitados com o rigoroso planejamento da atividade e participação ativa de amplo leque de atores, destacando-se: a comunidade receptora, órgãos da administração pública, empresários do ramo, visitantes e organizações do terceiro setor.


[1] São dados originalmente do Banco Central do Brasil, citados pelo Ministério do Turismo.

[2] Dados da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, citados pelo Ministério do Turismo.

 

DESENVOLVIMENTO E TURISMO – PARTE 1 de 4
REFLEXÕES TEÓRICAS

RESUMO

O artigo tem o intuito de apresentar alguns elementos de reflexão, decorrente de uma revisão de literatura, em busca de verificar a contribuição do setor turístico relacionado ao desenvolvimento de uma localidade. Foi tomado como base conceitos e definições de desenvolvimento local e sustentável, o efeito multiplicador da atividade turística e seus impactos na economia e comunidade receptora de turistas. Mostrando também a importância do planejamento no desenvolvimento turístico desejado.

Palavras-chave: desenvolvimento, turismo, planejamento.

INTRODUÇÃO

No momento atual a palavra que vem ocupando o centro das discussões é o desenvolvimento sustentável, paralelo aos desafios da desigualdade social, do desemprego, da pobreza, dos desequilíbrios ambientais e da paz mundial. Há, no entanto, um momento de incerteza de novos tempos, com as transformações que resultam do processo de transição da modernidade para a sociedade pós-moderna.

De acordo com Latour (1994) vivemos num mundo povoado por objetos híbridos, nos quais não conseguimos mais fazer operar as modernas práticas de purificação responsáveis por estabelecer as distinções entre o natural e o social, objeto e o sujeito.

Por demais, como é colocado por (SERRES, 1990) existe um ou muitos equilíbrios naturais e da mesma forma, as culturas criaram um ou mais equilíbrios de tipo humano ou social, decididos, organizados, preservados pelas religiões, os direitos ou as políticas, mas falta-nos pensar, construir e colocar em ação um novo equilíbrio global entre esses dois conjuntos.

Diante deste cenário aparecem novas representações sócio-econômicas, pois crescimento econômico não significa necessariamente desenvolvimento, muitas regiões, apesar de possuírem suas economias em ascensão permanecem estagnadas ou até em declínio em relação às questões sociais e ambientais.

Atualmente os indicadores que determinam o desenvolvimento, não estão baseados somente as questões econômicas. Como mostra Veiga (apud RIVERO, 2006 p. 22 – 23) “são os gurus do mito do desenvolvimento que têm uma visão quantitativa do mundo. Ignoram os processos qualitativos histórico-culturais, o progresso não-linear da sociedade, as abordagens éticas, e até prescindem dos impactos ecológicos”.

Entretanto, desponta na década de 80 até os dias atuais, o desenvolvimento local, como um modelo de desenvolvimento que busca associar as preocupações sociais, utilização racional dos recursos naturais aos interesses econômicos, visando alcançar melhorias na qualidade de vida das populações, a partir de um processo de movimento das forças endógenas destas.

Como uma das novas representações socioeconômica, surge à atividade do turismo, considerada uma das mais relevantes atividades econômicas, que vem se desenvolvendo com muita rapidez, que mais gera renda, distribui riqueza, cria empregos, combate à pobreza e promove o entendimento entre as pessoas e os povos.

Apresenta-se como um espaço de tendência das diferentes teorias, capaz de articular um processo de desenvolvimento, em que se preocupe em resgatar a identidade e promover o ser humano, preservar e melhorar o meio ambiente e patrimônio histórico e cultural.

De acordo com (AMARAL e TEXEIRA 2006, p. 1052) “a atividade turística pode ser uma oportunidade para alguns lugares se desenvolver; muitos países têm na atividade enorme potencialidade de desenvolvimento”. Os autores ainda colocam que a atividade turística é impactante; porém há impactos que podem ser maléficos e outros que podem ser benéficos para a localidade em que esta atividade se desenvolve.

A realidade mundial socioeconômica mostra que algumas questões que envolvem o desenvolvimento local através da atividade turística devem ser discutidas. Então ficam as indagações:

- O desenvolvimento do turismo seria um fator de desenvolvimento local?

- Até que ponto o turismo tem contribuído para o desenvolvimento de uma localidade?

- Como alcançar o desenvolvimento através da atividade turística de forma adequada?

O propósito deste artigo é apresentar alguns elementos para refletirmos sobre a contribuição do segmento turístico em relação ao desenvolvimento de uma localidade.

Em breve publicarei a segunda parte deste artigo.

Fiquem a vontade para comentar.

Abraço