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Penedo: uma cidade à espera de turistas (PARTE I)

Imagem 1 - Penedo

Imagem 1 - Penedo

Por: Patrycia Monteiro – Repórter

Publicado no O JORNAL em Domingo,03 de maio  de 2009 no Caderno de Economia.

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), Penedo tem inúmeros atrativos turísticos naturais e  culturais que são internacionalmente conhecidos. O município conta com um calendário repleto de festas populares importantes, como a procissão marítima  do  Bom Jesus dos Navegantes; parte do seu território está localizada na  Área de Preservação Ambiental (APA) Marituba do Peixe, considerada o pantanal alagoano; isso sem mencionar o próprio Rio São Francisco, que margeia a cidade, e os pontos turísticos históricos, entre eles a Igreja de Nossa Senhora das Correntes, o Convento Nossa Senhora dos Anjos e a Catedral Diocesana de Nossa Senhora do Rosário.

Todos esses diferenciais seriam suficientes fazer do turismo a principal atividade econômica do município, mas seu fluxo turístico mostra que o
potencial existente está longe de ser exercido. De acordo com dados de 2006, da última Pesquisa de Turismo Receptivo realizada pela Secretaria de Cultura e Turismo de Penedo, no período entre 1999 e 2005, o município só recebeu cerca de 120 mil turistas, uma média de 46 visitantes por dia – número considerado pequeno por especialistas. Diante do contraste entre vocação do município e a pouca expressividade da atividade na economia penedense, a pesquisadora Águida Veiga  Feitosa, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), resolveu descobrir quais são os verdadeiros entraves que inibem o pleno desenvolvimento do setor no município. “Essa realidade sempre me intrigou. Como é que uma cidade com tanto potencial turístico como Penedo não consegue atrair e fixar turistas, incrementando a economia local? No  município, poucas são as pessoas e empresas que vivem da atividade turística”, afirma.

Pesquisa de campo revela gargalos

Para identificar os gargalos existentes, Águida, que também é professora do Curso de Turismo do Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), esbarrou na ausência de bases estatísticas. Por isso, decidiu entrevistar representantes de 19 organizações relacionadas ao segmento turístico, sendo seis deles do poder público, sete da iniciativa privada e mais seis da  sociedade civil.

Essas instituições participam das ações de; planejamento do Arranjo Produtivo Local (APL) Caminhos do São Francisco, um projeto que vem
sendo desenvolvido pelo em parceria com a Secretaria de Planejamento do governo do Estado. Os dados foram analisados, buscando identificar as falhas estratégicas das políticas públicas elaboradas ao longo da  história do município.

Segundo Águida, o trabalho de pesquisa de campo confirmou suas  expectativas iniciais: são poucos os turistas que circulam pela cidade e a maioria  esmagadora deles nem sequer pernoita em algum dos meios de hospedagens de Penedo.

“Meu primeiro passo foi o de verificar os registros de hotéis e de livros de visitas dos pontos turísticos. Dessa forma, descobri que boa parte dos turistas de Penedo é de estudantes daqui de Alagoas que passeia pela cidade e que vai embora no mesmo dia que chega”, diz Águida.

“Em seguida, busquei entender as razões que afastam os turistas da cidade. Então passei a analisar a infraestrutura e oferta de serviços do município. Afinal, a atividade turística não se desenvolve apenas com a existência de atrativos turísticos como muita gente costuma imaginar”, afirma. – De acordo com ela, há algo em torno de 15 meios de hospedagem de Penedo. O maior deles é o tradicional Hotel São Francisco e o restante são pequenas pousadas, algumas mais  semelhantes a pensões.

“Os meios de hospedagem precisam de uma maior  qualificação e a  mão-de-obra que trabalha neles precisaser capacitada”,  conta.

Na opinião dela, em relação aos meios de alimentação, a cidade está literalmente bem servida.

“Penedo conta com bons restaurantes  regionais, pizzarias, churrascarias e o célebre restaurante A  Rocheira – que serve carnes exóticas, como a do jacaré. A gastronomia local não frustra o turista”, afirma.

Contudo, na visão da especialista, falta identidade ao artesanato local. Já a infraestrutura básica de Penedo, não desaponta, segundo Águida Veiga.

“A cidade tem sistemas de saúde, educação, telefonia, segurança e boas rodovias de acesso que precisariam ser melhoradas na sinalização”, descreve.

“Em resumo, há melhorias que podem ser feitas, mas nada disso justifica o tímido fluxoturístico”, frisa.

Em breve o próximo POST com a segunda parte da reportagem.

Fiquem a vontade para comentar.